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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

27 maio

Se não empolgaram pelos números, os atos pró-Bolsonaro deste domingo trouxeram um recado ao Congresso: o presidente não será transformado em figura decorativa da governança nacional

Veja a seguir um resumo da análise política da melhor consultoria de política do país, a FSB Comunicação, que distribui os seus papers em canal fechado, com uma avaliação sobre os atos nas ruas do país deste domingo.

 

Mobilizações “a favor” de governos são tabu no país. Historicamente é um desafio hercúleo atrair multidões às ruas em defesa da continuidade de um projeto político, ainda que recém-empossado. Dito isso, não deve se desprezar a energia catalisada neste domingo em prol de Bolsonaro. A pauta governista foi amplamente difundida pelos aliados e ‘embaixadores digitais’ do bolsonarismo.

 

Milhares foram às ruas. Outro contingente expressivo voltou a defender o presidente organicamente e com alguma paixão. Redes inativas desde a campanha foram retomadas para difundir as mensagens-chave que interessam ao Planalto. Os atos de rua reagruparam figuras proeminentes do bolsonarismo que estavam em rota de colisão há algumas semanas.

 

Um dos exemplos foi o recuo da recordista de votos em São Paulo Janaína Paschoal, que chegou a sugerir boicote aos protestos e acabou reconhecendo a sua legitimidade e pujança. Olavistas, militares, alas rivais do PSL e monarquistas endossaram o tom das manifestações no transcorrer do domingo. O bloco liberal, que trabalhou para esvaziar as manifestações, ficou relativamente isolado.

 

As consequências imediatas: o “centro político” e o Judiciário foram alvejados pelo pulsar das ruas no instante em que tomarão decisões de impacto na governabilidade. Como reagirá o DEM, que hoje comanda as duas casas legislativas depois de ter virado alvo preferencial da claque bolsonarista? Há risco de recrudescimento na tensão entre Rodrigo Maia e Bolsonaro. Isso representaria ameaça ao cronograma de aprovação da reforma da Previdência.

 

Já Sérgio Moro ganha tônus na sua empreitada pelo pacote contra a corrupção. No STF, fica ainda mais frágil qualquer manobra para flexibilizar o regime fechado de Lula. Em síntese, se não empolgou pelos números, a manifestação deste domingo traz um recado expressivo ao Congresso. A parcela da população que dá 35% de conceitos bom/ótimo ao governo e uma fatia significativa dos que consideram “regular” a atual gestão não permitirão, ao menos por ora, que se transforme o presidente em figura decorativa da governança nacional. Fica, assim, abalado o ímpeto de instalar na República um semipresidencialismo ou um parlamentarismo informal.