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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

25 jun

Caiado vai tentar derrubar na 2ª votação a emenda da reeleição do presidente da Assembleia, aprofundando o erro gravíssimo da sua articulação política que é confrontar Lissauer Vieira

O governador Ronaldo Caiado não gosta do presidente da Assembleia Lissauer Vieira e não o quer em mais um mandato no cargo, o que será possível caso a emenda da reeleição seja aprovada na sua segunda votação, prevista para esta semana. Os deputados estaduais que supostamente compõem a base caiadista no Legislativo, dentre os quais saiu a maioria dos 28 votos a favor da emenda na primeira votação, voltaram a ser procurados para que se posicionem contra ou evitem dar quorum – caso não seja novamente alcançado o mínimo de 28 votos, a matéria será arquivada.

 

Há um confronto claro entre Caiado e Lissauer Vieira. Não são poucos os que acreditam tratar-se de um erro capital que só prejudica os interesses do governo, através de uma situação inédita na política de Goiás, pelo menos nos últimos 60 anos, desde que um deputado de oposição, Olympio Jayme, derrotou o então governador Otávio Lage e assumiu o comando da Assembleia. Foi só essa vez. Governador e presidente do Legislativo, em Goiás, sempre se deram bem – e essa, de resto, é uma condição essencial para que o Palácio das Esmeraldas tenha garantia de governabilidade. Acontece que, com Caiado, essa lógica foi virada de cabeça para baixo.

 

Antes de ser eleito para chefiar a Assembleia, mas quando já estava consolidado como nome certo para o posto, atropelando o candidato oficial Álvaro Peixoto, o deputado Lissauer Vieira foi chamado por Caiado e ouviu de viva voz poucas e boas. Ele nunca esqueceu o episódio e repete que foi humilhado e tratado com desrespeito. Mesmo assim, prudentemente, tem se esforçado para manter uma relação amistosa com o governador, que não perde nenhuma oportunidade para deixar claro que não o tolera. Só que, sem um aliado dirigindo a Assembleia, as derrotas de Caiado se acumulam.

 

Ao enviar o secretário de Governo Ernesto Roller para o plenário na sessão em que a emenda da reeleição foi votada, para infrutiferamente coordenar a sua derrubada, e também ligar diretamente para deputados com a mesma intenção, Caiado deu um passo perigoso, expondo a sua relação com o Parlamento estadual  e fragilizando a sua autoridade. “De forma desnecessária e inapropriada”, avaliou o jornalista político Divino Olávio, em sua coluna no jornal Diário Central. Mas governador não aprendeu a lição. Como a emenda deve regimentalmente passar por uma segunda votação, ele se ouriçou e entrou novamente em campo para trabalhar pela sua inviabilização. Não só ele, como também o secretário Ernesto Roller, estão imprudentemente se esforçando para produzir uma reviravolta capaz de enterrar a reeleição. Não vai ser fácil. Se perder novamente, Caiado pagará o preço de se tornar um anão diante da Assembleia.