Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

02 jul

Caiado completa 6 meses de governo e 10 meses desde a eleição(4): pelo que se viu até agora, Goiás tem uma gestão de improvisos, que não pensa as suas decisões e não cumprirá o compromisso de mudança

Ao contrário de muitos analistas e políticos que acreditam ser ainda muito cedo para avaliar o governo Ronaldo Caiado, este blog acredita que seis meses de mandato são mais do que suficientes para extrair uma previsão sobre o futuro e o que é e o que acontecerá nos próximos três anos e meio quanto a administração pública em Goiás.

 

Desde 1º de janeiro, o que temos aqui no Estado? Um governante que atua ao sabor do improviso e dos acontecimentos pontuais, sem uma agenda efetivamente comprometida com a mudança que prometeu na eleição. Mesmo os mais simpáticos a Caiado são obrigados a admitir que o seu governo carece de movimentos pensados ou tecnicamente voltados para um objetivo – que seria, no final das contas, o projeto que teria para os goianos e para Goiás nos dias que virão. Tanto é verdade que o que existe hoje é uma grande movimentação em torno de… um despacho judicial, no caso a liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes que supostamente suspendeu a quitação das parcelas da dívida do Estado com os bancos públicos e abriu espaço para a apresentação de uma proposta de adesão ao duríssimo Regime de Recuperação Fiscal, que pode ou não ser aceita.

 

Venhamos e convenhamos, leitora e leitor: uma deliberação judicial está longe de caracterizar um projeto ou uma estratégia de governo. A liminar de Gilmar Mendes, na ordem geral do universo, é um acontecimento fortuito, não planejado e momentâneo. Gera, na verdade, insegurança jurídica, como toda e qualquer liminar – provisória e temporária por natureza. A Secretaria do Tesouro Nacional vai recorrer? Vai pedir maiores esclarecimentos, já que a decisão é confusa e redigida em termos contraditórios? Ou vai cumprir conforme o seu entendimento lógico, ou seja, aguardando a apresentação dos documentos que o ministro mandou Goiás apresentar, para uma avaliação e posterior resposta sobre o acesso do Estado ao Regime de Recuperação Fiscal?

 

Tudo isso não configura um programa de governo e não traz a mudança que foi o mote que levou os goianos a aclamar Caiado nas urnas, de forma espetacular e em 1º turno. Nem o governador nem os seus secretários exibiram até agora uma ideia original ou uma meta a atingir que de alguma forma seria de repercussão geral para a população. Nada. Repete-se diariamente que o Estado quebrado, mas não se tem conhecimento de medidas para resolver o rombo e devolver Goiás ao modelo de equilíbrio entre receita e despesa. E nem mesmo houve renovação na política, que continua “velha” como sempre foi, com a troca de cargos e benesses governamentais por votos na Assembleia. E, para agravar, um cheiro azedo de familiocracia no ar – algo bem identificado com os Caiados e infelizmente confirmado pelo da hora.

 

Se existe alguma surpresa quanto ao governo de Ronaldo Caiado, é a inabilidade do seu titular para construir uma base de sustentação seja política seja social. Não há diferença entre o governador e um interventor que cai de paraquedas sobre a realidade do Estado, sem âncoras ou conexões com a riqueza de situações que compõem o panorama humano de Goiás. Se nos seus primeiros meses Caiado foi assim, porque seria diferente no que resta do seu tempo?