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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

17 set

Ter oposição é importante para Goiás, mas uma que seja inteligente e atuante, não a que Daniel Vilela está fazendo com declarações de vez em quando, supérfluas e sem sentido – que nada acrescentam

Oposição é importante em qualquer sistema político e mais ainda em um Estado, como Goiás, onde o atual governador foi eleito com uma maioria esmagadora de votos, daquelas que são capazes de dar ao vitorioso uma certa soberba e convicção de que não tem que prestar contas a quem quer que seja.

 

Porém, oposição feita de qualquer maneira, sem conteúdo, na base de ataques ou críticas pessoais, sem uma discussão aprofundada do que realmente interessa para a população, não ajuda em nada. É perda de tempo. Oposição que fiscaliza, que debate ideias, que apresenta alternativas, que denuncia irregularidades – essa, sim, é a que Goiás precisa e há quem a faça, como alguns deputados estaduais (Leda Borges e Talles Barreto, do PSDB, por exemplo). Nem de longe, no entanto, é o que está se propondo o presidente do diretório estadual do MDB e ex-deputado Daniel Vilela, um dos candidatos derrotados por Caiado na eleição passada e que, falando de si próprio, costuma dizer que foi escolhido pelo eleitorado para ser oposição.

 

Sim, foi. E tanto que terminou o pleito como o segundo mais votado, à frente de Zé Eliton , os dois, de qualquer forma, a anos luz de distância de Caiado. Mesmo assim, ficou claro que o papel de Daniel na política de Goiás, daqui até 2022, é fazer oposição ao governo do Estado. A pergunta então é: o emedebista está atendendo a esse desígnio que recebeu das urnas? Parece que não.

 

Vamos aos fatos, leitora e leitor: desde que Caiado tomou posse até hoje, o presidente do MDB repete o mesmo lenga lenga. Em resumo, o que ele declarou à coluna Xadrez, do jornalista Rubens Salomão, nesta terça, 17 de setembro: “É um governo letárgico, equipe despreparada e um governador que demonstra deslumbre com o poder. Achou que governar era ficar no palácio usufruindo das mordomias e se vê assustado com a necessidade de ser gestor”, disse. Ou seja: nada com nada. Caiado, em mais de oito meses de governo, já decidiu, decretou, movimentou, criou, cortou, implantou, resolveu, avançou, recuou e, enfim, protagonizou uma enormidade de ações que deram um rumo para a sua gestão e que podem ser avaliados pela oposição, com críticas e tudo o mais. Mas não abordadas com a superficialidade revelada por Daniel Vilela.

 

O pior é que, desde janeiro, ele aparece, faz algum ataque, depois some. Não há qualquer constância. É uma frase hoje, mais uma semana que vem, depois dois meses de silêncio, depois outra, todas superficiais. Falar que Caiado é um governador deslumbrado, por exemplo, não tem sentido. É o contrário, alguém que se agarra com unhas e dentes aos objetivos inerentes ao cargo, vai atrás, busca sem parar criar soluções, muitas vezes exageradamente imaginosas, para os desafios que tem pela frente. É nessas soluções que Daniel Vilela deveria concentrar os seus neurônios, até para provar que os tem.

 

Por enquanto, está em débito com os quase 500 mil votos que recebeu em 7 de outubro de 2018.