Barafunda prejudica todos os candidatos, exceto Adriana Accorsi
A confusão e o vácuo estão instalados por ora na sucessão municipal, em Goiânia. Isso é prejudicial para todos os pré-candidatos, com exceção da deputada federal Adriana Accorsi – concorrente do PT e de uma base política e eleitoral perfeitamente dominada, com pequenas brechas sem potencial para comprometer a integridade do seu projeto (como a tentativa do ex-vereador Fábio Torkaski de se lançar pelo PCdoB, partido atualmente em federação com o próprio PT e o PV, criando uma situação jurídica inusitada, mas não definitivamente prejudicial, dentro da esquerda na capital).
Fora daí, é uma barafunda sem tamanho, criada pelo vácuo nas articulações em torno, por exemplo do nome a ser apontado para representar a base do governador Ronaldo Caiado e também pela falta de um rumo unificado para o bolsonarismo, hoje com tendência a se concentrar no apoio ao deputado federal Gustavo Gayer e assim colocá-lo no páreo, além do cataclismo que se abateu sobre a postulação do senador Vanderlan Cardoso, outrora considerado imbatível até acumular uma sucessão de erros e se isolar terrível e irremediavelmente.
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O prefeito Rogério Cruz, de seu lado, só fala em reeleição de uma maneira distante. Se tiver disposição para enfrentar o desafio, contará com pouca gente no seu palanque. Caiado, nem pensar. Aparentemente sem ânimo, Cruz não age ou não encontra espaço para se mexer. Levou uma bordoada há poucos dias do vice-governador Daniel Vilela e respondeu com brandura. Quase que engolindo calado, apenas esforçando-se para aproveitar a chance e se reafirmar como candidato. Em meio a esse vaivém, o cenário, vagarosamente, vai adquirindo contornos. A lentidão, a menos de 8 meses da data das urnas, não faz bem aos interessados, beneficiando exclusivamente Adriana Accorsi. Ela é a única ativa no indispensável proselitismo eleitoral que com força repercute quanto mais é antecipado – jurisprudência formada em Goiás pelas duas vitórias de Caiado, ambas com campanha e estruturação iniciadas bem antes do tempo até então convencionalmente calculado.
Em tudo isso, salta que a provável persistência da polarização ideológica corre o risco de ser desperdiçada pela divisão florescente na área da centro-direita, indo até a extrema, pelo menos no 1º turno. Isso coloca Adriana Accorsi automaticamente no 2º turno, em princípio. Não é certo que, contra ela, os adversários todos estariam reunidos em torno daquele classificado para a outra vaga. Muito desentendimento, agora, como a incontrolável troca de alfinetadas e ataques explícitos, leva a ressentimentos no futuro. Presumível, a partir daí, que os encargos do ex-prefeito de Trindade e empresário Jânio Darrot na construção da sua candidatura exigirão suor comparável a um trabalho de Hércules. Com a mão de Caiado no seu ombro, essa missão poderá ser cumprida com mais desenvoltura e facilidade. Detalhe nada sutil: Darrot será mesmo o porta-bandeira da base governista, é visível. A vez é dele.