Missão das secretarias das mulheres começa dentro das próprias prefeituras
O enorme contingente de mulheres e de minorias que atuam nos serviços públicos oferecidos pelas prefeituras de Goiânia, Aparecida e Anápolis exige das secretarias dedicadas à sua proteção e valorização – que existem em Goiânia e Aparecida, mas não em Anápolis – um compromisso prioritário de atenção e conscientização dos diversos escalões burocráticos de cada um desses municípios. Antes de tudo, o exemplo tem que vir de casa e é isso o que se espera da professora Eerizania de Freitas, secretária municipal de Mulheres, Direitos Humanos e Assistência Social, na capital; Carolina Tavares Araújo, secretária de Políticas Públicas para Mulheres, em Aparecida; e do prefeito Márcio Corrêa, em Anápolis, onde infelizmente não se instituiu ainda uma pasta específica para cuidar da área.
Estruturas administrativas gigantescas como as desses três maiores municípios do Estado incluem uma extensa hierarquia, partindo do titular principal e se desdobrando por chefes de gabinete, secretários executivos, diretores, gerentes, coordenadores e mais uma infinidade de cargos de chefia. É a velha história: nas relações entre seres humanos, onde há formas de poder, vicejam também os abusos, através de atitudes tóxicas, falta de respeito, apelo a chamamentos pejorativos e racistas, machismo e em casos extremos assédio moral e sexual. Isso é uma vergonha e precisa ser varrido para fora das estruturas de gestão em Goiânia, Aparecida e Anápolis – como aconteceu no governo do Estado, onde parece não haver mais ocorrências depois da ênfase que o governador Ronaldo Caiado e a primeira-dama Gracinha sempre dedicaram, muito ostensivamente, à defesa das mulheres e das minorias dentro e fora do serviço público estadual.

A sinalização, assim, precisa começar pelos prefeitos Sandro Mabel, Leandro Vilela e Márcio Corrêa, copiando a estratégia de Caiado e Gracinha – que funcionou. Mas a transformação dessa política em ações concretas depende diretamente da Eerizania, em Goiânia; de Carol Araújo, em Aparecida; e, por ora, de Márcio Corrêa, pelo menos até que entenda a necessidade e a premência de criar uma pasta específica em Anápolis. São urgentes campanhas internas de esclarecimento e orientação; abertura de canais institucionais para receber denúncias e reclamações (sob garantia de sigilo inicial); definição de procedimentos para punição, como advertências e sanções mais sérias; e, enfim, todo o aparato indispensável para desestimular e intimidar os possíveis infratores, consolidando ambientes de trabalho saudáveis e livre de pressões absolutamente inaceitáveis e indevidas.
É o que deve e precisa ser feito caso Mabel, Vilela e Corrêa queiram realmente se beneficiar de uma imagem de modernidade e conexão com um mundo em transformação, em que as mulheres e as minorias deixaram para trás a subordinação histórica para conquistar um papel de relevância e afirmação de grande importância para… a humanidade, não é exagero afirmar.
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