Nova investigação policial mostra que Marconi não tem moral para atacar Caiado e Daniel
O ex-governador Marconi Perillo se entusiasmou com o papel de “influencer” nas redes sociais e perdeu os freios com uma série de ataques destrambelhados ao governador Ronaldo Caiado e ao vice Daniel Vilela. Em respostas rápidas e resumidas, os dois retrucaram lembrando os escândalos de corrupção que envolveram o ex-governador, inclusive um que levou à sua prisão por um dia, e colocaram uma pedra sobre a polêmica. Para azar de Marconi, o debate não se encerrou: nesta quinta, 6, ele amanheceu como alvo de uma nova investigação da Polícia Federal – detalhe importantíssimo: Polícia Federal e não Polícia Civil – por receber propina de uma organização social que cuidava do Hugo nos seus tempos de governo, R$ 153 mil reais, além de repasses para a sua mulher e uma filha.

Pronto, o tucano-mor de Goiás está de volta às manchetes negativas, inclusive da imprensa nacional (e são centenas). Como a investigação é da PF, e repetindo: a Polícia Civil nada tem a ver, não há como recorrer à surrada e esfarrapada desculpa de que se trataria de perseguição movida por Caiado – que não tem jurisdição alguma sobre uma força policial exclusivamente subordinada ao Ministério da Justiça. Culpar Caiado é conversa fiada de Marconi. Tática escapista, apenas. Ele deveria é refutar a acusação, provar que não foi destinatário de nenhum centavo da tal OS e mostrar que está limpo, ou seja, que não recebeu os R$ 153 mil, ou, tendo recebido, como garante a PF, aclarar do que se trata. Preliminarmente, pelas informações da PF, não há dúvidas de que a operação bancária foi feita. Logo, bastaria admitir e elucidar qual foi a origem e o motivo do repasse. Qualquer justificativa fora daí soaria falsa.
LEIA MAIS
Mal com o PSD, pior com o MDB: o mato sem cachorro do “influencer” Marconi
Marconi vive pesadelo com o fim do PSDB e iminente absorção das sobras pelo MDB ou PSD
A última de Marconi: lobista de corrida de cavalos em SP
Mais uma vez, fica provado que Marconi, para ter um futuro na política, depende de uma mudança de comportamento. Primeiro, parar de falar nas realizações dos seus governos de antigamente, das quais ninguém se recorda mais hoje em dia. Segundo, como oposicionista, continuar a criticar Caiado, o que é um direito seu, mas discutindo as grandes linhas programáticas do governo em detrimento de insultos e ofensas pessoais. Terceiro, entender que as redes sociais são rasas e, embora possam ser usadas com legitimidade por qualquer liderança política, deveriam ser complementadas por um material noticioso de maior conteúdo e detalhamento. Afinal, trata-se de um ex-governador que esteve no comando do Estado por 16 anos e, no mínimo, teria em tese uma contribuição a oferecer sobre a discussão de propostas para o futuro de Goiás e os caminhos a percorrer. Por último, como bom católico que é, rezar, rezar… para que não apareçam novas denúncias contra a sua pessoa.
ATUALIZAÇÃO – Como previsto, o ex-governador Marconi Perillo emitiu uma nota a pretexto de responder às investigações da Operação Panaceia, da Polícia Federal, que encontrou um ingresso de R$ 153 mil reais em uma rubrica bancária sua, por conta de uma organização social que administrava o Hugo durante o seu governo, segundo afirma a PF. Ele não tocou na acusação e investiu na esperada ladainha: atribuiu a ação policial a uma perseguição do governador Ronaldo Caiado – com o jornal O Popular, que publicou a nota, observando oportunamente: “Marconi diz que o ‘grupo de Caiado’ usa o ‘poder do Estado para perseguir, constranger e tentar calá-lo’. As declarações não esclarecem a suposta influência do governador na PF e na Controladoria Geral da União, responsáveis pelas investigações”. A nota do ex-governador é puro chororô.