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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

19 jul

Demóstenes pagou com juros o que devia, faz falta no Senado e merece voltar

O ex-senador, procurador de Justiça aposentado e hoje advogado chefe de uma das bancas mais respeitadas de Goiás Demóstenes Torres avalia disputar as eleições do ano que vem, concorrendo exatamente ao mandato que o consagrou, qual seja o de senador da República. Sim, Demóstenes escorregou em erros e equívocos na sua trajetória política, mas já pagou com juros caríssimos por isso. Está plenamente quites com qualquer forma de Justiça dos homens, abonado por sucessivas vitórias processuais no Supremo Tribunal Federal, inclusive uma que assegurou o seu direito de concorrer em quaisquer eleições.

 

 

Poucos, na história da mais alta Câmara Legislativa do país, passaram por lá com tanto brilho como Demóstenes. Ele gosta de lembrar que, pelo volume de trabalho apresentado, acabou nomeado como o maior relator de matérias de importância em tramitação naquela Casa, em todos os tempos. Esse é só um número, no entanto, aliás espetacular. Mais destacados e relevantes foram os discursos, os debates, as polêmicas, os enfrentamentos, as posições e as bandeiras defendidas com competência e conteúdo como raramente se viu por ali. Nesse sentido, Demóstenes honrou Goiás e se inscreveu com letras de ouro nos anais parlamentares do Brasil, superando em muito o desempenho da maioria dos senadores das últimas décadas – atenção, leitoras e leitores, com gloriosas exceções como a do governador Ronaldo Caiado (que permaneceu apenas quatro anos no Senado e marcou presença).

Mas o cenário, hoje, no Congresso Nacional, é de uma pobreza intelectual preocupante, totalmente influenciado pelos excessos da polarização ideológica que o presidente Lula, ao se eleger com o apoio da centro-direita, prometeu encerrar e substituir por uma conciliação – compromisso que Lula enterrou bem fundo ao se lançar de corpo e alma ao confronto nocivo do “nós contra eles”. A partir daí, o governo federal afundou numa gastança eleitoreira, fulminando de morte o equilíbrio fiscal e transformando o Brasil em um país atolado na falta de perspectivas para o futuro. Em um ambiente assim, um político preparado como Demóstenes nadaria de braçada e ofereceria uma contribuição para a busca urgente de soluções para os desafios que, sob Lula, não se consegue resolver.

 

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Uma amostra do talento de Demóstenes Torres está nos seus artigos periódicos no site Poder 360: são verdadeiras lições para um momento institucional caracterizado pela debacle da esquerda, por um lado, e pelo esforço de estruturação doutrinária de uma direita civilizada, da qual, com certeza, se ele tivesse um mandato, se tornaria rapidamente uma das principais lideranças. Direita esclarecida, na mesma linha do governador Ronaldo Caiado e de tantas outras autoridades, deputados e senadores que atuam em Brasília, na tentativa de se organizar em um segmento majoritário cada vez mais viável em Pindorama. Demóstenes merece a chance de voltar ao palco para o qual parece ter nascido, renovando com a luz da maturidade o fulgor que foi no seu primeiro mandato e parcos meses do segundo no Senado Federal.