Exceto Gayer (e isso é péssimo), bancada federal é toda baixo clero e envergonha Goiás
Baixo clero: um termo que designa historicamente os padres que antigamente cuidavam das paróquias rurais no Brasil (e talvez no mundo). Ou seja: o nível mais baixo da hierarquia da Igreja Católica. No Brasil, modernamente, serve para definir a multidão de parlamentares, nas Câmaras Municipais, Assembleias e no Congresso Nacional, que não tem influência alguma e só cuida dos interesses miúdos das suas bases eleitorais. E dos seus próprios, óbvio. Dos 17 deputados federais e dos três senadores por Goiás da atual safra com assento em Brasília, conclui-se hoje que a maioria esmagadora integra esse desmoralizado e triste “baixo clero”, com uma única e infeliz exceção: o deputado federal Gustavo Gayer, de todos, é o que exibe um certo brilho, ainda que na linha com a qual a Folha de S. Paulo, em um artigo do colunista Luís Nassif, o classificou: “Figura abjeta”.

Goste-se dele ou não, Gayer é o único destaque dentre os 21 representantes goianos no Congresso. Pelo bem ou pelo mal, ele sabe aparecer, embora nunca como um dos grandes formuladores da direita com assento privilegiado na capital federal. Esse papel ele não desempenha porque só fala besteira, a cabeça oca sempre de olho em recortes para divulgação nas redes sociais. Nos motins que sacudiram a Câmara e o Senado nesta semana, lá estava ele ajudando impedir o presidente Hugo Motta de acessar a sua cadeira. Gayer, e mais ninguém de Goiás, marcou presença. No Senado, Wilder Moraes apareceu por uma ou duas horas ajudando na ocupação do trono de Davi Alcolumbre, plantou notinhas na coluna Giro, em O Popular, e manhosamente desapareceu.
Mais ninguém deu as caras. Impressiona a ausência dos senadores e dos deputados federais por Goiás em qualquer coisa de importância que acontece em Brasília. Eles simplesmente não existem. Juntos, compõem a insignificância e a irrelevância de uma frente política que, endossada pela votação das goianas e dos goianos, teria a obrigação de dar retorno para o Estado, um pouco além da mediocridade das emendas orçamentárias para a aquisição de ambulâncias, tratores, ônibus e caminhões para os municípios. Na disso é a verdadeira missão institucional da nossa bancada, seja no seu conjunto, seja na particularidade de cada um dos membros. Mas é o que todos eles fazem, excluindo-se Gayer, dentro das fantasias ideológicas que acredita. Debater e encaminhar prioridades para o futuro de Goiás é que deveria vir em primeiro plano.
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E Goiás já brilhou no Congresso Nacional. Entre outros, foram senadores Domingos Velasco, Pedro Ludovico, Henrique Santillo, Iris Rezende, Maguito Vilela, Marconi Perillo e Demóstenes Torres (esse com uma atuação cintilante). Havia respeito pelo time de frente do Estado no plenário do Senado. Também houve deputados federais de prestígio, em especial na época dos “autênticos”, que levantaram barreiras para o regime dos militares. Essas estórias são passado, e glorioso, contudo. No momento, só há despachantes de luxo usando seus mandatos para abastecer prefeitos (leia-se: suas bases eleitorais) com verbas quem se constituem no maior desperdício de recursos em todos os tempos, desde a instalação da República no país. Alguns, como José Nelto, há mais de 40 anos, pasmem leitoras e leitores. Se houver saúde, lá estará por mais 40 ou até cair os cabelos e os dentes. Seus colegas de mandato, todos, querem ser como ele e é assim que se perpetua o vazio em que se transformou a representação parlamentar federal do Estado.