O que está por trás dos elogios de Caiado ao conselheiro Tejota na inauguração do CORA
No discurso que fechou a solenidade de inauguração do CORA – Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás, na última quinta-feira, 25 de setembro, o governador Ronaldo Caiado fez vários agradecimentos, referindo-se a pessoas e instituições que apoiaram a obra. Uma citação, em especial, chamou atenção: ele mencionou três vezes o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Sebastião Tejota, em forma de elogios pela viabilização do hospital – erigido mediante um novo sistema jurídico de contratação que dispensou meios complicados e demorados de licitação, para cravar um recorde de 25 meses, tempo gasto do lançamento da pedra fundamental até a entrada em pleno funcionamento da unidade, há três meses.

Por que Tejota recebeu esse afago público, quando, inclusive, o presidente do TCE Helder Valin participava da cerimônia? Caiado fez uma alusão protocolar a Valin, porém viu-se nitidamente que quis deixar claro o seu reconhecimento: o conselheiro Tejota teve papel fundamental para impedir uma manobra dentro do tribunal que tinha potencial até para impedir a construção do hospital – quando um questionamento patrocinado pelo ex-governador Marconi Perillo mirou o inovador sistema de alocação de recursos adotado, basicamente sem concorrência. Um sistema que, conforme disse Caiado na sua fala, foi pioneiro em termos de Brasil e agora passou a ser copiado em outros Estados, configurado por uma parceria social com uma entidade do 3º setor, escolhida pela sua expertise na área, supervisionada tanto pelo Estado como por uma empreiteira selecionada, essa sim, em pregão público.
Pois bem: o TCE, acionado por Marconi, esteve à beira de proibir esse caminho. O CORA, provavelmente, ainda estaria na fase de fundações. Mas um conselheiro, exatamente Sebastião Tejota, se levantou como um leão para defender a proposta de Caiado. E o governador, por sua vez, enfrentou de peito aberto a maioria do tribunal, cuja quase totalidade de membros – seis, em um colegiado de sete – foi nomeada nos tempos do tucano. Inclusive, a propósito, o próprio Tejota. Foi ele, no entanto, quem liderou com o peso da sua antiguidade (é o decano da Corte) a revogação de todos os atos praticados contra o hospital e a manutenção dos parâmetros adotados sob orientação de Caiado, ao dar um parecer enfático pelo arquivamento da representação do PSDB (assinada por Marconi), e articular sua aprovação por 5 a zero pelos colegas, decretando que a “inexigibilidade de chamamento estava de acordo com a lei”.
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O gesto de Tejota, na época, sensibilizou Caiado. O conselheiro, como se sabe, é o pai do deputado estadual Lincoln Tejota, vice de Caiado no 1º mandato. Se houve uma conspiração entre Marconi e parte do TCE para dificultar a implantação do CORA, ou se foram apenas procedimentos de acompanhamento dentro do tribunal um pouco mais radicais, digamos assim, nunca se saberá. Seja como for, não prosperou. Caiado superou os obstáculos que chegaram a ser ensaiados debaixo de uma capa de suposta legalidade e na última quinta, 25 de setembro, entregou às goianas e aos goianos um hospital já classificado como o melhor do Brasil em matéria de tratamento oncológico infantil e quem sabe mesmo um dos mais modernos do mundo. O conselheiro Sebastião Tejota deu a sua contribuição e o governador soube agradecer.