Tentativa de ressurreição de Marconi é bloqueada por novo escândalo
Um novo escândalo, envolvendo o desvio de verbas públicas superiores a R$ 80 milhões e lances rocambolescos que começam com uma reforma fictícia das instalações do Jockey Club de São Paulo e acabam em um sumidouro de dinheiro em Goiás, pegou em cheio o ex-governador Marconi Perillo – três semanas após o seu autolançamento como candidato ao Palácio das Esmeraldas em 2026. Algo de que, em um momento de tentativa de ressurreição política, recupera o histórico negativo de Marconi em relação ao tema corrupção e, é claro, derruba talvez definitivamente as suas chances de voltar à importância que um dia teve estadualmente falando.

O rolo tem suas origens em 2019, quando o ex-governador, derrotado para o Senado, muda-se para São Paulo e assume uma vaga de conselheiro do Jockey Club, cujo fim precípuo é a promoção de corridas de cavalos. Estranho e muito, já que Marconi, pelo que se sabia, jamais havia se interessado por esse tipo de atividade, vista no mundo de hoje como exploração física de animais e cada vez mais em decadência. Para piorar, ele meteu-se a portavoz do Jockey, atuando junto à Câmara de Vereadores paulistas para impedir a aprovação de um projeto que proibiria corridas de cavalos por se tratar de um “esporte” cruel e desumano.
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Em resumo, o enrosco que trouxe de volta as manchetes nocivas para Marconi diz respeito a captação de dezenas de milhões para a restauração de construções históricas no Jockey Club de São Paulo, recursos que evaporaram depois de enviados a empresas fantasmas em Goiânia ou então usados para custear despesas com jantares, vinhos e outras finalidades sem nada a ver com o objetivo previsto na contratação (leia aqui matéria detalhada do Jornal Opção). Em determinadas situações, envolvendo parentes do tucano ou amigos chegados. Coisa que ele, em nota, negou categoricamente.
Atenção: a denúncia foi formulada pelo site UOL, portanto, produto inicial de uma iniciativa jornalística. E na sequência, o que vem serão os desdobramentos legais, com o agravante de que parte dos mais de R$ 80 milhões larapiados é originária dos cofres da União, o que estabelece a jurisdição da Polícia Federal para a investigação do caso. Não é uma boa notícia para Marconi, porém sinal de que estão a caminho dores de cabeça tormentosas. E em um instante delicado, qual seja a já difícil arrancada da candidatura fragilizada ao governo estadual – faltam partidos, aliados, recursos e propostas. E agora, mais uma vez, sobram desgastes.