A 9 meses da eleição, cenário em Goiás ainda está longe da definição
Faltando apenas nove meses para as eleições de outubro, o cenário de candidaturas majoritárias em Goiás ainda está longe de uma definição. A rigor, estão resolvidos apenas os lançamentos do vice-governador Daniel Vilela (MDB) para o Palácio das Esmeraldas e da primeira-dama Gracinha Caiado (UNIÂO) para o Senado. O deputado federal Gustavo Gayer (PL) é um nome certo para também concorrer a uma vaga senatorial (serão duas), em um contexto político francamente em aberto: pode sair isolado pelo próprio partido ou chegar a uma composição com a base governista, formando ao lado de Gracinha na chapa de Daniel.

Fora daí, não se tem uma visão límpida de mais nada. O senador Wilder Morais (PL) diz que é candidato a governador, mas não convence ninguém ao exibir uma completa falta de articulação e ausência de um discurso mínimo condizente com pretensão tão elevada. A legenda que integra negocia abertamente com o governador Ronaldo Caiado e com Daniel Vilela, através de Gayer, que vem tendo encontros repetidos tanto com um quanto com outro e recentemente trouxe a Goiás o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato a presidente, para conversar com Caiado, sem esconder a vontade de fechar um acordo benéfico para a sua candidatura a senador – o que incluiria a supressão da possível participação de Wilder na corrida pelo governo do Estado.

No PT, pior ainda. A sigla tem um quadro de valor e respeito para apresentar: o ex-reitor da UFG vereador Edward Madureira, em condições de fazer uma boa figuração, muito acima da tradição de ex-reitores petistas (Pedro Wilson e Wolmir Amado, ex-reitores da PUC, péssimos nas urnas em pleitos estaduais), porém igualmente sem chances de ganhar. Vantagem óbvia: criaria um palanque para a reeleição de Lula em Goiás, o que não seria fácil com qualquer outro nome. Desvantagem gritante: sem os seus votos para deputado federal, o PT correria o risco de não obter quociente para faturar duas vagas na Câmara Federal. O partido só garantiu cadeiras para Adriana Accorsi e Rubens Otoni em 2022 graças ao complemento oferecido pelos 60 mil sufrágios obtidos por Madureira, que ficou em 3º lugar para a Câmara dos Deputados e não foi eleito.
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A decisão sobre a candidatura de Edward Madureira, em conformidade com os costumes soviéticos do PT, virá de cima para baixo, em uma espécie de imposição da cúpula nacional sobre os interesses do diretório goiano – e o presidente Edinho Silva tem repetido que a prioridade será a formação de uma bancada federal numericamente expressiva, o que, desde já, sinaliza para a confirmação do ex-reitor como postulante à Câmara dos Deputados. De resto, não há expectativa sobre uma votação sequer razoável para Lula em Goiás, diante das raízes conservadoras e da maioria bolsonarista consolidada entre as goianas e os goianos.

Uma outra situação que ainda precisa se aclarar está na candidatura de Wilder Morais a governador. Não se trata de uma prioridade do PL nacional, que, a exemplo do PT, mas mirando mais alto, foca em conquistar uma ampla maioria no Senado (para, por exemplo, aprovar o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal) e daí eleger Gustavo Gayer tem muito mais importância para os projetos de poder do bolsonarismo. Internamente, é quase uma unanimidade dentro do PL goiano formalizar uma composição com a base aliada, abrindo caminho para que os candidatos a deputado estadual e federal recebam acesso a um palanque de peso – sem falar em outras comodidades, como a liberação de emendas orçamentárias para os parlamentares já com assento na Assembleia Legislativa.
Enquanto Wilder hesita, o ex-governador Marconi Perillo apregoa aos sete céus que, sim, vai concorrer ao Palácio das Esmeraldas. Com o seu partido em frangalhos, cavalgando uma rejeição monstruosa e totalmente solitário e sem apoio de lideranças, sequer de pequeno porte, as pretensões de Marconi parecem mais uma estratégia para cavar espaço nas mídias, para, no final, se converter em uma candidatura a deputado federal, na expectativa de resultados muito mais promissores. Por isso, certeza, certeza mesmo, por enquanto, é só Daniel Vilela para governador, Gracinha Caiado e Gustavo Gayer para o Senado, e esse ainda último sem um posicionamento eleitoral consolidado em termos de sustentação.