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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

05 mar

15 dias depois, ninguém do MDB acompanhou a filiação de Ana Paula ao PL

 

Passados 15 dias desde que a filha de Iris Rezende, Ana Paula, se filiou ao PL, ninguém do MDB acompanhou o movimento. Por ora, Ana Paula segue solitária na sua virada de casaca, sem atrair o apoio de quem quer que seja do seu antigo partido. De resto, nem de qualquer outro campo político ou partidário, a não ser a sua nova turma de bolsonaristas.

Pior: nos meios de imprensa e nas redes sociais, continua a onda de críticas ao gesto da autocognominada herdeira política de Iris – visto unanimemente pela velha guarda da legenda, mais ligada à trajetória de Iris, como uma traição à história do maior cacique emedebista em Goiás.

São centenas de comentários, em especial no perfil da própria Ana Paula no Instagram, reprovando a mudança de partido e o mergulho nas águas turvas da direita radical. Iris Rezende, de fato, sempre foi um político de centro-direita e em alguns momentos até de centro-esquerda, como, por exemplo, quando concorreu a prefeito de Goiânia com um vice indicado pelo PT, o médico Paulo Garcia, já falecido.

E estava vivo, como prefeito de Goiânia, quando Jair Bolsonaro chegou à presidência da República, porém jamais tentou qualquer aproximação com o Messias hoje encarcerado, nem mesmo uma declaração elogiosa ou de deferência especial. Estiveram juntos durante uma visita do então chefe da nação ao Palácio das Esmeraldas. Iris mostrou cortesia protocolar, que pode ser notada nas fotos tiradas na ocasião. O que o prefeito fez? Falou ao presidente sobre investimentos na capital goiana, em tom formal, na presença do governador Ronaldo Caiado e em um determinado instante sob o testemunho de jornalistas. Não passou disso.

 

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A solidão de Ana Paula ao se bandear para o PL acabou reforçando o isolamento do senador Wilder Morais, o candidato a governador da sigla. À cerimônia de adesão, compareceram apenas 8 prefeitos e 2 deputados estaduais, números mais ou menos correspondentes aos esvaziados quadros reais da agremiação em Goiás. Dos 4 deputados federais eleitos pelo PL, por exemplo, nenhum deu as caras. E o prefeito mais importante do PL, o de Anápolis, Márcio Corrêa, não foi. Márcio é ligadíssimo ao vice-governador Daniel Vilela, representante da base governista nas vindouras eleições de outubro.

Ana Paula, depois do pulo para o PL, recolheu-se à discrição. Deu uma longa entrevista a O Popular, na tentativa de explicar a decisão de sair do MDB, e foi a São Paulo, junto com Wilder, para participar de uma manifestação bolsonarista na Avenida Paulista. E ponto final. Ela anunciou uma viagem aos municípios para reativar antigos laços do pai com políticos locais, mas ainda não se mexeu. É provável que não venha a fazer nada parecido, pela absoluta falta de intimidade e conhecimento em relação às velhas bases emedebistas por esse Goiás afora, hoje muito mais identificadas com Daniel Vilela. Foi só rastro de onça.