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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

12 mar

Nada mudou: Daniel sempre esperou Wilder, Marconi e um nome da esquerda como adversários

 

O candidato da base governista ao Palácio das Esmeraldas Daniel Vilela nunca vislumbrou outro cenário para as eleições deste ano em Goiás a não ser o de um enfrentamento com o senador Wilder Morais, com o ex-governador Marconi Perillo e com um nome da esquerda. Por isso, não houve surpresa nem muito menos um realinhamento de estratégias a partir da reviravolta gerada pela decisão do PL de cancelar a composição com a base governista e partir para o lançamento da candidatura solo do senador Wilder Morais ao governo do Estado.

Publicou-se muita bobagem sobre o suposto “impacto” da mudança de posição do PL, na tentativa de se provocar um clima de insegurança dentro da campanha de Daniel – agitando-se também o espantalho da mudança de sigla da filha de Iris Rezende, Ana Paula, que deixou o MDB para ocupar a vaga de vice na chapa de Wilder. Mas Ana Paula, além de não levar ninguém com ela, caiu rapidamente no esquecimento. Não houve abalo algum.

 

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O roteiro desenhado para a navegação de Daniel Vilela até a data das urnas permaneceu o mesmo, claro que se adaptando formalmente à defecção do PL, o que foi feito com rapidez com a definição agora não de dois, porém de quatro senatoriáveis – a primeira-dama Gracinha Caiado, o senador Vanderlan Cardoso, o deputado federal Zacharias Calil e o presidente da Agehab Alexandre Baldy. O resto permaneceu como estava, inclusive quanto a quem que será escalado para a vice de Daniel – um anúncio ainda sem data marcada e provavelmente adiado um pouco para a frente, à espera de uma avaliação sobre o certame pela governadoria.

 

 

A base aliada sempre pensou, pelas suas principais cabeças, que a eleição deste ano seria disputada pelo seu representante contra três concorrentes: Wilder, Marconi e um da esquerda. E esse é o quadro que, agora, parece consolidado. Daniel Vilela prossegue tendo como principal trunfo o aval de Caiado e uma estrutura partidária respeitável, somado às suas qualidades próprias, dentre as quais a renovação geracional da política em Goiás destaca-se como uma das principais. Wilder terá o apoio dos segmentos bolsonaristas, em torno de 20% do eleitorado estadual, mas dependerá do que não tem, ou seja, de um bom discurso para fidelizar até mesmo esse apoio e contar com a chance de o ampliar em alguns pontos. Marconi, coitado, está de tanga. Sua legenda, o PSDB, faliu local e nacionalmente. A rejeição não baixou. Líderes de peso para o seu palanque, nem unzinho. A seu favor, apenas o largo conhecimento normalmente atribuído a quem desfrutou de quatro mandatos como governante, insuficiente para uma arrancada nas urnas, das quais, aposta-se, emergirá como o 3º colocado, se tiver sorte e se realmente não desistir antes. Por último, o pretendente da esquerda, que não se saberá tão cedo quem será, possivelmente um zé-ninguém em matéria de densidade eleitoral.

Como diz o velhíssimo ditado popular: tudo como dantes no quartel de Abrantes.