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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

12 maio

Encurralado, PT está marcado para morrer em Goiás

Como pode um partido político de esquerda sobreviver em um Estado cuja população é tradicionalmente de direita e, pior ainda, vem ampliando essa tendência de modo exponencial a cada eleição? A resposta é simples: não pode. No caso de goiás, não há espaço, bases ou fundamentação social mínima para que uma legenda como o PT adquira qualquer expressão ou força para além da condição de nanico ou insignificante.

Tanto que, hoje, nem mesmo candidato a governador o PT tem em Goiás. O seu melhor quadro, a deputada federal Adriana Accorsi, vem de 2 derrotas consecutivas na disputa pela prefeitura de Goiânia, fiascos dos quais ainda se salvou alguma vantagem, já que ajudaram a massificar o seu nome. Ela se tornou bem conhecida e teria potencial para chegar a 10% dos votos na hipótese de se lançar à corrida pelo Palácio das Esmeraldas pelo PT. Coisa que, no entanto, Adriana não quer e não vai fazer.

 

 

Nem Adriana Accorsi nem o PT têm condição de se dar ao luxo de desperdiçar a chance de reeleição para a Câmara dos Deputados, onde teria a função de reforçar a estratégia de assegurar recursos dos fundos eleitoral e partidário para a sigla (a distribuição é calculada com base no número de deputados federais de cada agremiação). Mais parlamentares, mais dinheiro para o PT, obsessão, aliás, compartilhada por todo o espectro ideológico com registro no TSE.

Essa lógica interesseira tira do PT a única possibilidade de se sair razoavelmente nas urnas deste ano em Goiás e lança o partido no abismo. Não há nomes alternativos com a mínima densidade eleitoral. Talvez o vereador e ex-reitor da UFG Edward Madureira? Não. Ele será sacrificado como candidato a deputado federal, para contar votos e desesperadamente tentar alcançar legenda para efetivar 2 deputados federais – a própria Adriana Accorsi e Rubens Otoni, esse já mostrando fadiga depois de tantos mandatos sem retorno coletivo.

 

 

Restam nulidades em maior ou menor grau como o ex-deputado Luís César Bueno, o presidente do Sindicato dos Jornalistas Cláudio Curado e o neto do ex-deputado Manoel de Oliveira e filho do radialista assassinado Valério Luiz, o advogado Valério Luiz Filho. Os 2 últimos, zero à esquerda em termos de votos. Luís César, um pouco superior, porém longe da possibilidade de um desempenho sequer regular, os 3 destinados a amealhar de 0,3 a 5% dos sufrágios, pelo menos de acordo com as pesquisas até agora. Calamidade eleitoral pré-anunciada, portanto.

Um deles será o candidato do PT. Provavelmente, Luís César Bueno. O resultado, garantidamente pífio. Quer dizer: o PT está marcado para morrer em Goiás, isto é, cair em uma situação de absoluta inexpressividade e daí em diante 100% prejudicado quanto a qualquer crescimento futuro, enquanto assiste a uma expansão acelerada centro-direita, direita e extrema-direita como vertentes políticas predominantes em um Estado onde o poder do agronegócio é a origem maior da inclinação conservadora do seu eleitorado.

Decorre de tudo isso uma conclusão: a esquerda e o PT, seu principal canal de vocalização, terminarão 2026 estadualmente esvaziados até o cabo. Terá Adriana Accorsi como deputada federal (a reeleição de Rubens Otoni tão problemática quanto incerta), 2 ou 3 deputados estaduais, os 3 prefeitos com que conta hoje, esparsos vereadores aqui e acolá e… nada mais. Ah, dirá alguém, e a vereadora Aava Santiago, recém-chegada e imediatamente cogitada até como candidata a governadora? Esqueçam. Aava não tem a confiança da reduzida militância petista em Goiás e não irá a lugar nenhum. Oooops, os petistas andam namorando o ex-governador Marconi Perillo, do PSDB. Verdade, mas aí, leitoras e leitores, teríamos o mergulho definitivo do PT goianos nas trevas.

É uma situação clássica de mato sem cachorro. Não há para onde correr. Depois de Jair Bolsonaro na presidência, Goiás saiu do armário. Está, inclusive, nas pesquisas, onde aparece ou como o 1º ou como o 2º Estado mais bolsonarista do país. Como dito linhas atrás, praticamente só existe centro-direita, direita e extrema-direita. Em uma terra radicalizada como essa, só prosperam partidos antipetistas e antilulistas. A decadência do PT em solo aumenta incontrolavelmente a cada eleição e aponta para o vazio, agravado pela incapacidade para gerar ideias e apresentar propostas alternativas para a população, tornando-se um partido fossilizado que tem como única bandeira a obediência cega ao projeto de preservação perpétua de Lula.

 

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