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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

23 jul

Sem memória: argumento de Marconi contra Daniel é o mesmo que derrotou Iris Rezende em 1998

Aqueles que se esquecem do passado estão condenados a repetir a história, mas como farsa ou tragédia. É mais ou menos o que dizia Marx – e, convenhamos, com grande razão. Eis aí à nossa frente o que acontece na atual disputa pelo Palácio das Esmeraldas: o ex-governador Marconi Perillo importou um marqueteiro, um certo Lula Guimarães, para comandar o seu proselitismo eleitoral – e ele, o tal Lula, começou com o pé esquerdo. Anunciou pomposamente que a estratégia a favor do seu cliente será a de mostrar um confronto entre “o certo e o duvidoso”, no qual “o certo é quem tem experiência de 4 mandatos de gestão administrativa( Marconi) e o duvidoso é quem só tem experiência legislativa e nenhuma de gestão (Daniel)”.

 

 

Marconi deve acreditar nessa bobagem, senão seu comunicador estratégico seria outro e não esse Lula Guimarães. Se escavar as suas memórias, ele, Marconi, se lembraria de que, em 1998, quando era o moço da camisa azul, sem nunca ter ocupado cargo público executivo algum, ganhou o Palácio das Esmeraldas contra Iris Rezende, o maior construtor de infraestrutura da história de Goiás, naquela época já com 2 mandatos de governador nas costas. E o que pregava Iris? Que Marconi nunca tinha administrado sequer um carrinho de pipoca e que seria uma verdadeira loucura ou irresponsabilidade entregar uma gestão pesada como a de um Estado a um novato no ramo.

 

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A metáfora preferida nos comícios de Iris Rezende em 1998 era a de um grande ônibus em uma descida, representando Goiás. Um motorista despreparado não teria controle e acabaria causando um desastre. Isso era repetido dia e noite. Não adiantou. A população escolheu “o duvidoso” e mandou “o certo” para as calendas, tanto que Iris nunca mais se recuperou eleitoralmente e perdeu mais 3 eleições na sequência, uma para o Senado e 2 para o governo estadual. Tornou-se um político confinado aos limites de Goiânia.

Pois é essa a tese de campanha de Marconi, segundo o seu genial marqueteiro. Mandatos executivos não decorrem de fundamentos que estão em tempos pretéritos e sim são definidos a partir de expectativas quanto ao futuro. Fernando Henrique foi eleito presidente sem currículo de gestor. Lula, idem. Jair Bolsonaro, também. No caso de Goiás, neste ano, há um fator diferenciado a considerar: é forte o anseio social pela continuidade dos avanços inegáveis que o governador Ronaldo Caiado trouxe para as goianas e os goianos. O próprio Lula Guimarães, em um ato, falho, reconhece que o tema da continuidade é dominante para as urnas de outubro vindouro no Estado. Bisonhamente, parece acreditar que será possível vender Marconi como “o continuador” e não quem está legitimamente investido nessa condição, ou seja, aquele que Caiado acha que é o melhor para cumprir essa missão – sim, ele, Daniel Vilela. Marconi, jamais.