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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

29 jul

Campanha curtíssima é mais uma vantagem para Daniel Vilela

 

O governador Daniel Vilela (MDB) lidera todas as pesquisas de intenções de votos, em 1º lugar e de forma isolada, o que quer dizer: a uma distância enorme dos seus adversários, 20 pontos à frente do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e mais de 30 pontos de dianteira sobre Wilder Morais (PL) e Luis Cesar Bueno (PT). Sem exceção, todas as vantagens comparativas beneficiam Daniel, desde o fato de encarnar a continuidade da gestão bem-sucedida do ex-governador Ronaldo Caiado, mote principal da eleição deste ano, reúne a maior aliança partidária no apoio à sua candidatura e alinha no seu palanque uma coleção espetacular de lideranças de peso, até a prosaica constatação de que é no momento o titular do Palácio das Esmeraldas e atrai por isso mesmo uma visibilidade sem comparação com os demais concorrentes.

Mas há um relevante fator adicional conspirando para fortalecer as expectativas de vitória de Daniel Vilela, que pode ocorrer, pela matemática das pesquisas, no caso as de credibilidade e não as encomendadas pelos seus antagonistas, ainda no 1º turno. Trata-se do modelo constritivo de campanha vigente, impondo o mais curto período de exposição para os candidatos em toda a história dos pleitos já realizados no Brasil. Desde 2015, sob a justificativa de diminuir os custos para os partidos e candidatos, a mobilização eleitoral nas ruas foi postergada para 16 de agosto em diante, somando apenas 45 dias até a data da votação. Quanto a propaganda gratuita no rádio e na televisão, talvez o mais potente instrumento de comunicação à disposição dos postulantes, o prazo encolheu de 45 para 35 dias, com início em 28 de agosto.

Tudo isso caracteriza uma exiguidade de tempo, obviamente, que aproveita mais a quem está no poder e busca a recondução. Muito mais. É um tempo exageradamente curto. Azar para os pretendentes de oposição, pelo país afora, forçados a uma corrida contra o relógio para vender os seus nomes e as suas propostas. Em Goiás, bom para Daniel Vilela, que também tem nas mãos uma poderosa máquina de mobilização, configurada pela estrutura capilarizada da base governista pelos municípios afora, e, quanto aos programas no horário da Justiça Eleitoral, contando com mais da metade do espaço diário de interação com a população oferecidos aos concorrentes ao governo de Goiás. Daniel ficará com pouco mais de 5 minutos, na volta do dia e à noite, enquanto Wilder Morais e Luis Cesar, 2 minutos cada um e Marconi Perillo terá que se virar nos 30, ou seja, com 34 segundos para dar o seu recado – missão simplesmente impossível.

 

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É difícil se lembrar de uma eleição tão endereçada como a hoje em andamento em Goiás, pelo menos nos últimos 40 anos. O favoritismo de Daniel Vilela é uma realidade que reduz a nada a hipótese de surpresa no boletim oficial do TRE com os resultados da apuração. Contribui para isso a pobreza de ideias, de performance política e de movimentação dos seus oponentes. Lançados candidatos há meses e meses, Marconi e Wilder nunca conseguiram chamar a atenção e ou mostrar uma iniciativa, ainda que mínima, capaz de abalar minimamente o cenário pró-reeleição de Daniel. Seguem estagnados nas pesquisas. O recém-definido petista Luis Cesar, pior ainda. Eles parecem consumidos pelo equívoco de apostar em um confronto restrito a nomes, para o qual, de resto, não ostentam trunfos à altura de influir em uma comparação com Daniel Vilela. Sem nada de novo no horizonte, Goiás terá como governante a partir de janeiro de 2027 quem já está no pódio de todos os levantamentos produzidos pelos institutos realmente sérios.