Pesquisas locais de credibilidade média ou baixa trazem Wilder ultrapassando Marconi
Pesquisas produzidas por institutos locais, nenhum de credibilidade indiscutível – ainda em construção se houver acertos e comprovação de eficácia da metodologia adotada – indicam que o senador Wilder Morais (PL) está passando o ex-governador Marconi Perillo. Levantamentos do Igape – Instituto Gazeta de Pesquisas – e do Goiás Pesquisas – vinculado ao site Mais Goiás – já dão Wilder e Marconi em empate técnico no 2º lugar, com o agravante, para Marconi, de que Wilder vem ascendendo aos poucos e o seu concorrente, caindo. Nas pesquisas de institutos nacionais de confiança inquestionável, como a Quaest e a Paraná, esse cenário ainda não foi captado.
Desde o início da campanha essa troca de posições era prognosticada. Afinal, Marconi Perillo entrou na corrida pelo Palácio das Esmeraldas em condições muito mais desfavoráveis do que Wilder Morais. O ex-governador carrega o fardo de uma rejeição pesada, não recebeu o apoio de partidos ou de lideranças de peso, montou chapas fraquíssimas para o Senado e deputados federal e estadual e garantiu apenas 30 segundos no horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão. Wilder, nesses quesitos, saiu-se um pouco melhor do que o adversário. Não muito melhor, porém arrumou uma vice com DNA político (a filha de Iris Rezende, Ana Paula), seu partido, o PL, é o maior do Brasil em termos de representação parlamentar, tem o bolsonarista inconteste Gustavo Gayer como um dos candidatos ao Senado e, no rádio e televisão, recebeu mais do que o triplo do tempo de Marconi ou 1 minuto e 48 segundos.
Tudo isso confirma a presença de lógica eleitoral na ultrapassagem de Marconi Perillo por Wilder Morais. Até mesmo por um suposto poder de concentração de votos da base bolsonarista estadual, hoje estimada em 18% do eleitorado, e da direita não-bolsonarista, em torno de 20 a 25%. O problema principal, para Wilder, é que ele não tem a unanimidade das preferências desses segmentos: ambos declaram majoritariamente apoio à reeleição de Daniel Vilela. Essa configuração se reproduz na dinâmica interna do PL, rachado pela opção de parte significativa dos seus membros pela reeleição do atual governador. Secundariamente, Wilder é tido como um candidato despreparado, com dificuldades para se expressar, sem visão de futuro para o Estado e um colecionador nato de gafes – como a desta semana, ao admitir o uso de câmeras corporais por policiais em serviço, tema ideologizado pelo bolsonarismo e amplamente repelido, em Goiás, tanto pelo ex-governador Ronaldo Caiado como pelo seu sucessor.
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O fôlego de Wilder Morais é curto, como consequência das suas debilidades. Pode, no máximo, a se confirmar a tendência de ocupação do 2º lugar, permitir uma classificação para o 2º turno – atenção: se houver. As mesmas pesquisas do 2º time dos institutos que informam sobre o chega-pra-lá que ele estaria dando em Marconi coincidem com os institutos nacionais e levam à conclusão matemática de que a eleição, se fosse hoje, seria liquidada no dia 4 de outubro, em turno único. De resto, se acontecer uma 2ª etapa, todos os sinais sugerem apenas e nada mais que um viés de confirmação dos números do 1º turno, isto é, da vitória do governador Daniel Vilela.