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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

18 set

Wilder na CBN/O Popular é desastre de comunicação e só serve para comprovar despreparo

Foi calamitosa a sabatina da CBN/O Popular com o candidato do PL ao Palácio das Esmeraldas Wilder Morais. Embora não seja propriamente uma novidade, a ocasião serviu para comprovar, mais uma vez, o completo e absoluto despreparo de Wilder para o cargo que resolveu postular, com o acréscimo de uma espantosa falta de respeito às regras mínimas da última flor do Lácio, ou seja, a Língua Portuguesa.

Raciocínio confuso, entonação monótona e ofensiva aos ouvidos (a voz de bêbado e velho a que se referiu uma nota do Jornal Opção), sujeito e verbo jamais em concordância, frases desprovidas de qualquer sentido e, como sempre, o queixo erguido – um sinal corporal que transmite arrogância e superioridade e que se descobriu, na atual campanha, ser a marca registrada do milionário que nunca se furtou de exibir a sua boa vida nas redes sociais e resolveu arranjar o que fazer ao ingressar na vida pública por pura diversão, aliás, segundo consta, por intermediação do empresário Carlinhos Cachoeira.

 

 

É um assombro: os 30 minutos da sabatina CBN/O Popular não registram um momento sequer de expressão vocabular em termos corretos, por parte de Wilder Morais. Em praticamente todas as frases, há erros gritantes quanto a escolha de palavras e conexão entre sujeito e predicado. “Todos aqueles que procura atendimento do Estado” serão atendidos, disse o candidato. “Sabe por que eu coloquei essas emendas ligado ao entretenimento?”, enunciou, em outro momento. E um “nós não poderia indicar outras emendas”, ainda. Ou “o setor produtivo produz” e também “as questão das terras raras”. Ou “nós ter essa oportunidade”. E “até porque” um atrás do outro (mais de 30, um a cada um minuto). Olhem só o nível, leitoras e leitores. É de doer os ouvidos. Caso Wilder venha a ser eleito, Goiás se transformará rapidamente em vergonhosa chacota nacional.

O Popular corrigiu, na transcrição da sabatina, a cascata de erros de português de Wilder, mas faltou com a ética ao não informar o público leitor sobre a revisão. Assusta um empresário tão bem-sucedido e com curso superior (Engenharia) passando a impressão de alguém semialfabetizado. Das sabatinas com os 4 candidatos a governador promovidas pela CBN/O Popular, a de Wilder Morais foi a mais embaraçosa. Disparado. Daniel Vilela, Luis Cesar Bueno e Marconi Perillo saíram-se muito melhor, em termos de conteúdo, objetividade e comunicação. Daniel, Luis Cesar e Marconi sabem o que querem e como querem, cada um no seu quadrado. Todos os 3 falam corretamente. Já Wilder vende a imagem de alguém desorientado, incapaz de formular uma ideia com clareza e acerto, alguém intelectualmente carente. Muito carente.

Fora tudo isso, sobraram contradições. Wilder condena gastos com eventos, mas, no Senado, encaminhou milhões em emendas para apoiar shows, feiras e festas nos municípios. Também acha que existem radares em excesso nas rodovias goianas e pretende limitar esse número, apesar da notória contribuição desses equipamentos para a redução de acidentes. Em um capítulo do seu plano de governo, promete cortar a máquina administrativa e reduzir as secretarias, porém em outra página propõe criar, por exemplo, uma Secretaria de Terras Raras e outra de Projetos. Além disso, são as mais de 20 promessas relacionadas a itens de atuação constitucional ou prioritária dos municípios, não do Estado. Demagogia? Wilder não explicou.

 

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Das 4 entrevistas com os governadoriáveis, em O Popular, a de Wilder Morais foi escancaradamente a pior. Salta evidente que ele é incapaz de formular uma visão de conjunto do Estado e do seu futuro. Ficou claro que ele sequer conhece em detalhes o seu próprio plano de governo (protocolado no TRE junto com a documentação para o registro da candidatura). Wilder tem dificuldades imensas para explanar sobre qualquer assunto com acurácia e se fazer compreender. Sem exageros: ele não conseguiu responder a nenhuma pergunta dos entrevistadores, pelo menos a ponto de convencer sobre o seu conhecimento e sinceridade. A olhos vistos, um desastre que tem a absurda pretensão de governar Goiás.