Omissão de Wilder deixa Flávio Bolsonaro sem campanha em Goiás

O candidato do PL a presidente da República Flávio Bolsonaro não tem campanha em Goiás. Nenhuma. Flávio tornou-se vítima da inação de Wilder Morais, postulante do partido ao governo estadual. É que Wilder limita-se aos seus programas no rádio e televisão (1 minuto e 18 segundos, tempo, de resto, curtíssimo) e a comparecer aos poucos eventos promovidos pelos candidatos a deputado estadual e federal do PL. Fora daí, faz visitas formais a autoridades como o arcebispo de Goiânia Dom João Justino, dirigentes da Maçonaria e de sindicatos patronais (Secovi, que representa o setor imobiliário). De vez em quando, uma caminhada em bairros da capital.
Se, para Wilder Morais, essas visitas nada rendem do ponto de vista eleitoral, imaginem no caso do presidenciável Flávio Bolsonaro. Daí que, no Instagram do senador e em perfis onde são publicadas notícias a seu respeito, alguns seguidores bolsonaristas aproveitam para reclamar do paradão da campanha de Flávio em Goiás e para perguntar onde podem conseguir material de divulgação como banners e adesivos. Wilder não responde.
Por iniciativa do prefeito de Anápolis Márcio Corrêa, que é do PL, um comitê exclusivo para promover o filho 01 do Jair encarcerado foi inaugurado na cidade, na avenida Brasil, esquina com a Rua Barão do Rio Branco, um ponto considerado estratégico e de boa visibilidade. Uma multidão se concentrou ali no evento de abertura das portas, o prefeito e o candidato ao Senado Gustavo Gayer fizeram discursos mobilizatórios, mas… Wilder Morais não deu a cara. É verdade que nem convidado foi, depois que Márcio Corrêa anunciou apoio à reeleição do governador Daniel Vilela, disparando, na sequência, críticas pesadas a Wilder – contra quem levantou a já conhecidíssima acusação de que é um oportunista, de olho em vantagens pessoais, e não um autêntico bolsonarista de coração.
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Ronaldo Caiado e Lula, os outros dois candidatos a presidência com ressonância em Goiás, aparecem cotidianamente muito mais do que Flávio Bolsonaro. Caiado, óbvio, é estrela da campanha da reeleição de Daniel Vilela, com comitês e farto aparato promocional. Lula beneficia-se do tradicional estilo descentralizado do PT estadual, que pendura o presidente nos candidatos proporcionais e mantém um ponto de distribuição na avenida Anhanguera, no centro de Goiânia. Flávio não passa nem perto de nada disso.

Curioso é que Wilder Morais já recebeu mais de R$ 10 milhões do PL para custear a sua movimentação, que deveria obrigatoriamente se atrelar a Flávio Bolsonaro. Só que ele se omite. Não à toa, nos debates em que esteve presente, praticamente se esqueceu do candidato presidencial do PL. No 1º, na Band TV, não fez uma única referência a Flávio. No encontro da PUC TV, tentou corrigir a falha e fez algumas abordagens tímidas sobre o filho do Bolsonaro. Talvez prejudicado pela sua renitente incapacidade para se expressar com clareza, acabou revelando uma completa falta de entusiasmo pela candidatura do Flávio.
Justiça se faça: Wilder Morais não faz campanha nem para ele mesmo. Não fez como pré-candidato e se resume agora aos programas do horário gratuito e às visitas a personalidades que não o apoiam – e nem poderiam, em razão dos cargos que ocupam. Reza uma lenda urbana que ele confiaria em um surto bolsonarista na reta final das urnas, à altura de conduzi-lo a um triunfo inesperado, tal como aconteceu em 2022, quando, de fato, na última hora, ultrapassou os concorrentes e venceu a disputa de então pelo Senado por uma pequena margem. Se era uma estratégia ou se foi acidental, não importa, deu certo. Porém, em circunstâncias e cenário que nada têm a ver com a realidade de hoje e mostram que é ele cá e Flávio Bolsonaro lá, sem conexão.