Marconi justifica candidatura derrotada: “Ato de coragem”. Não, foi insanidade e o preço a pagar é alto
Em um vídeo postado nas redes sociais, na reta final da eleição, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) brada aos 4 ventos que é um homem de coragem, “peitudo”, que se lançou candidato a governador para denunciar e combater o estado de coisas em Goiás. E isso em se tratando com gestões com mais de 70% de aprovação, como a de Daniel Vilela, ou com 88%, caso do ex-governador Ronaldo Caiado. É difícil identificar nesse Marconi aquele que venceu 5 eleições consecutivas, 4 para o governo e uma para o Senado. Desapareceu toda e qualquer racionalidade. No lugar, entrou a insanidade vã do soldado que corre de peito aberto contra um ninho de metralhadoras do inimigo. Sem chances, a morte é certa. É o que significa o 4º lugar em que ele terminou a corrida pelo Palácio das Esmeraldas, neste ano.
Castigado por uma monumental rejeição compartilhada por mais de 50% do eleitorado, Marconi jamais se elegeria para um cargo majoritário carregando um fardo penoso como esse. A única chance seria postular uma cadeira de deputado federal, conquistando um mandato e um lugar à mesa do jogo político. Fora daí, seria o suicídio político. E ele, Marconi, se suicidou. Terminou a eleição deste ano humilhado, atrás do candidato do PT Luis Cesar Bueno, ampliando o desastre das infelizes candidaturas senatoriais de 2018 e 2022. Bonito se apresentar como corajoso e “peitudo”, mas esse tipo de bravata não leva a nada. Ou melhor: destrutivamente se volta contra quem as profere.
Uma rejeição acima de 50% configura uma muralha simplesmente intransponível. Mas, no caso do ex-governador, essa calamidade é só uma parte da catástrofe anunciada quando se lançou candidato ao governo. Marconi foi para a campanha sem partidos aliados, sem o apoio de lideranças de peso, sem prefeitos e sem tempo no horário gratuito de propaganda eleitoral (apenas 34 segundos). Sem nenhum trunfo, enfim, mesmo mínimo. Sim, sabemos que, na política, as coisas nem sempre se dão dentro da lógica e reviravoltas muitas vezes inacreditáveis podem acontecer. Só que, quanto a Marconi, a cambalhota vital da vida dele já ocorreu, no passado, em 1998, quando surpreendentemente derrotou o todo-poderoso Iris Rezende, em uma façanha para lá de espetacular. De novo? Não. Nunca mais.

Logo após a proclamação oficial dos resultados em Goiás, Marconi publicou uma fala em tom dramático no Stories(print acima), na tentativa de empacotar em grandeza e glória o seu estrondoso fiasco. Não funcionou. A expressão pesada do rosto, a tristeza e o cansaço chamaram mais atenção que as palavras, de resto, vazias. Como sempre, o ex-governador recusou qualquer autocrítica e nem mesmo concedeu a si próprio um fiapo de humildade para aceitar mais um revés. E sequer cumprimentou o vencedor. Deixou apenas a impressão de que o abismo em que voluntariamente pulou parece não ter fundo.