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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

07 out

Fiasco de Ana Paula na vice de Wilder comprometeu o legado de Iris

 

O que, no primeiro momento, foi projetado como uma jogada genial capaz de definir o resultado das eleições para o governo de Goiás, terminou… muito mal. Na verdade, o impacto e os efeitos da indicação de Ana Paula, a filha de Iris Rezende, para a vice na chapa de Wilder Morais (PL), não ultrapassaram a surpresa inicial, que durou um ou 2 dias. Foi só. Ana Paula, em tese herdeira do espólio eleitoral de um dos políticos de carreira mais longa no Estado, mostrou-se absolutamente incapaz para dar sequência e cuidar com boas mãos do patrimônio eleitoral do pai.

Wilder Morais recebeu, neste ano, para governador, menos votos do que em 2022, quando se elegeu senador com 799 mil sufrágios (agora, 797 mil). Não é exagero concluir, portanto, que Ana Paula Rezende nada acrescentou. E tudo o que aconteceu, depois que ela foi incorporada à campanha do PL, concorre para confirmar que não passou de zero a contribuição da filha de Iris. Nenhum emedebista ou qualquer liderança ligada ao velho cacique aderiu ao projeto de Wilder. Ninguém, nem sequer um vereador de corrutela. A velha guarda do partido, gente como Nailton de Oliveira, Genésio de Barros, Paulo Ortegal, Wilson Baleeiro e tantos outros, manteve distância. E foram sinceros o bastante para criticar na mídia o gesto de Ana Paula. “Vai contra tudo o que Iris construiu”, resumiu Baleeiro.

Para piorar o que já estava ruim, Ana Paula aproveitou as poucas oportunidades em público (a agenda de Wilder foi fraca e vazia) para defender o que ela batizou como “legado de Iris”, algo que ninguém estava questionando e, de resto, nunca foi colocado em xeque em Goiás. É e sempre foi generalizado o reconhecimento de que Iris Rezende fez muito como governador e prefeito em múltiplos mandatos, da mesma forma como se apontam também os erros cometidos – algo de que nenhuma figura pública escapa. Ocorre que, em vez de pedir votos para Wilder ou destacar as possíveis virtudes do candidato, Ana Paula se empenhou em lembrar e elogiar o pai e às vezes até a mãe D. Iris Araújo, em monótonas e cansativas arengas (agressivamente acusando sem qualquer prova e menos ainda sentido o ex-governador Ronaldo Caiado e o governador Daniel Vilela de sabotar a memória de Iris).

 

 

Caiado e Daniel foram ainda chamados de “machistas” por Ana Paula. Logo eles, que, em 2024, colocaram a candidatura a prefeita de Goiânia no colo da filha de Iris e ela desprezou a oferta (que, viu-se mais tarde, era de alto valor, já que Caiado estava investido da condição de influenciador privilegiado do eleitorado da capital, o que provou ao virar o 2º turno a favor de Sandro Mabel, derrotando o vencedor do 1º turno e bolsonarista Fred Rodrigues). Insensatamente, meteu-se na aventura de Wilder Morais, dizem as más línguas que arrastada pelo marido empresário Frederico Peixoto Craveiro, que teria negócios com Wilder. O mesmo Frederico, segundo a própria Ana Paula, teria vetado a candidatura a prefeita em 2024, essa imposição, aí, sim, de evidente conteúdo “machista”.

 

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Seja como for, a estreia eleitoral de Ana Paula Rezende foi amarga. Um desastre. Pesquisas qualitativas a definiram como uma “desconhecida” para o eleitorado, uma mulher ao lado de Wilder Morais que não se sabia quem era. Em um ou outro programa no horário eleitoral, ela foi exibida em abraços e conversas rápidas e demagógicas com gente do povo, em clima pesadamente artificial. Perdeu a eleição junto com Wilder e mal-educadamente desapareceu, sequer cumprimentando o vencedor, como é de praxe no mundo civilizado. É bem provável que exista aí alguma dor de cotovelo. Afinal, ela é a herdeira de uma liderança da política estadual, tal qual Daniel representa o mesmo em relação a Maguito Vilela, porém errou nas escolhas e só produziu desgastes para o sobrenome da família, tornando-o menor. Já Daniel, honrou e valorizou a marca do pai, também de trajetória consagrada na história de Goiás, até mesmo ao dedicar a ele, Maguito, o triunfo no 1º turno. Comportamentos diferentes, vê-se. Ana Paula, infelizmente, tomada pela mágoa e pelo ressentimento, é que acabou turvando o legado de Iris.