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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

19 out

Wilder se omite da campanha de Flávio e prova que é mais oportunista que bolsonarista

A campanha a favor do candidato do PL a presidente da República Flávio Bolsonaro segue a todo vapor. Mas, atenção: comandada pelo ex-governador Ronaldo Caiado e pelo governador Ronaldo Caiado. A eles se juntaram bolsonaristas de 4 costados como o senador eleito Gustavo Gayer e o prefeito de Anápolis Márcio Corrêa, além do deputado federal eleito Major Vitor Hugo, dentre outros nomes de expressão dentro do culto ao Jair. Ué… e o senador Wilder Morais, presidente do diretório estadual do PL e candidato derrotado a governador? Ele, como era de se imaginar, está nas ruas se empenhando pela eleição de Flávio?

Não, leitoras e leitores, não está. Wilder se limita a postagens pouco criativas ou efetivas nas redes sociais, onde não passa de 205 mil seguidores, isso em um Estado cuja população ultrapassa 7 milhões de pessoas e alcança 8,5 milhões de celulares ativos. Ele claramente se omite, marcando distância da mobilização liderada por Caiado e Daniel, de mãos dadas com o mais autêntico grupo de bolsonaristas em operação em Goiás. Os mesmos que sempre acusaram o senador de se aproveitar do bolsonarismo como um oportunista em busca de vantagens pessoais, sem, na verdade, nunca se expor para valer na defesa dos dogmas mais caros à cartilha escrita pelo capitão encarcerado. E, agora, novamente, fugindo das responsabilidades que deveria assumir como presidente regional do PL.

 

 

Não se pode esquecer que a própria candidatura de Wilder Morais ao Palácio das Esmeraldas foi uma imposição à maioria do PL que articulava uma composição com a base governista, pela qual Gustavo Gayer entraria na chapa senatorial ao lado da ex-primeira-dama Gracinha Caiado. Wilder atropelou esse entendimento atraindo o apoio do presidente nacional Valdemar Costa Neto, mesmo com o seu projeto caracterizado como aventura inconsequente dado o seu despreparo e falta de inteligência para a política – tanto que praticamente não fez campanha alegando esperar por uma reviravolta induzida pelo bolsonarismo na reta final, o que nunca aconteceu. Pior, Daniel Vilela, segundo todas as pesquisas de credibilidade, superava Wilder com folga nas preferências da direita não-bolsonarista e do bolsonarismo radical – previsão que acabou plenamente confirmada pelo tamanho da vitória em 1º turno do atual governador.

 

 

No 2º turno, Wilder abandonou Flávio Bolsonaro. Só foi ao evento em que Caiado e Daniel declararam apoio ao presidenciável, mas permaneceu escanteado e mudo no canto do palanque. Para mostrar prestígio, foi para Brasília e de lá se deslocou para Goiânia junto com a comitiva de Flávio. Da mesma forma, acompanhou Flávio à Rede Globo, na noite da sabatina no Jornal Nacional. Nada disso tem ou teve qualquer repercussão em Goiás. As carreatas de Caiado e Daniel, em Goiânia, Aparecida e Anápolis, sim, com certeza(acima, imagem da movimentação em Anápolis, no último fim de semana). É óbvio que Wilder deveria aparecer como uma das personagens dessa foto, confirmando, para o bolsonarismo, a sua disposição para esquecer o ressentimento pela derrota e se atirar de corpo e alma ao que importa, que a vitória de Flávio Bolsonaro.

 

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Uma das consequências primeiro da derrota nas urnas e depois da negligência de Wilder quanto a campanha de Flávio é o enfraquecimento do senador junto ao que ele julga o seu eleitorado, ou seja, os bolsonaristas. Wilder emergiu do seu fiasco nas urnas (recolheu menos de 22% dos votos) com o futuro comprometido. Em 2030, ele tende a encarar um duplo bloqueio: caso venha a partir para a reeleição, enfrentará o governador em fim de mandato Daniel Vilela (e só haverá 1 vaga), caso venha a tentar novamente o governo, provavelmente concorrerá com a senadora Gracinha Caiado como principal adversária, bancada pelo poderio da base governista. Em qualquer situação, suas chances serão diminutas, mesmo porque se depara a partir de agora um longo caminho a percorrer para deixar patente que realmente se importa com o segmento do qual se acha representante e que pode vir a rejeitá-lo com a sua derrubada da presidência estadual do PL e substituição por alguém de fato enraizado na religião cujo papa é o Jair.