Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

02 out

Apostar em “desejo de mudança” nas eleições do ano que vem é… falta de juízo

Em declarações ao jornal O Popular, logo após o convescote do último sábado, 27, em um auditório da Assembleia Legislativa, quando “aceitou o desafio” de disputar as eleições do ano que vem, o ex-governador Marconi Perillo apresentou um inacreditável raciocínio (ou falta de): afirmou que a sua candidatura se baseia no “desejo de mudança” que identificou entre o eleitorado estadual.

 

 

Isso significa, leitoras e leitores, que Marconi acredita que existe em Goiás um anseio por um novo tipo de governo ou por uma nova visão de futuro ou por novas prioridades ou por tudo isso ao mesmo tempo. Mas há um problemão: como é que Goiás mostraria “desejo de mudança” em relação a um governo, o de Ronaldo Caiado, ao qual atribui aprovação de 88% na média das pesquisas recentes, em alguns casos chegando a 91%, caso considerada a tradicional margem de erro de 3 pontos para cima ou para baixo? Não seria lógico concluir que esse “desejo” majoritário entre a população é, na verdade, de “continuidade” da atual gestão?

 

LEIA TAMBÉM

A fantástica aprovação “quase unânime” de Caiado, segundo a Genial/Quaest

Continuidade de Caiado será a variável de maior peso nas eleições de 2026 em Goiás

Favoritismo de Daniel Vilela está bem construído e entra agora em fase de sintonia fina

 

Marconi tem o direito de se candidatar a governador. Aliás, qualquer um, devidamente respaldado por um partido político, também. Só que é preciso enxergar alguma racionalidade nos movimentos de um possível pretendente ao Palácio das Esmeraldas, quanto mais um que já passou por 4 mandatos ocupando o trono da Praça Cívica. Afinal, o cargo é o de maior importância no Estado. Com tamanha experiência, Marconi deveria desconfiar de que o “desejo de mudança” pode ser algo que só habita a sua cabeça. Se as goianas e goianos alimentam um “desejo de mudança”, como explicar as pesquisas que avaliam positivamente Caiado de forma “quase unânime”, como reiterou o pesquisador sênior da Genial/Quaest Felipe Nunes? E o que dizer diante do índice de 70 a 74% de eleitoras e eleitores que informam reconhecer o direito de Caiado de eleger um sucessor, segundo a mesma Genial/Quaest?

Logo, decorre daí que a “aposta” do ex-governador tucano em um suposto “desejo de mudança” parece ser suicida. Não tem sentido. Marconi deveria procurar outros argumentos, mais encadeados com a realidade social e política do Estado, alguma ideia revolucionária ou propostas interessantes. Enquanto isso, a garantia de continuidade do governo Caiado, encarnada no vice Daniel Vilela, é de longe o fator número um de influência sobre as urnas de 2026 – e isso é reconhecido pela totalidade dos especialistas e eventuais cientistas políticos que analisam as expectativas para a disputa que vem aí. É por isso que Daniel lidera todas as pesquisas, desde já, e é também por isso que é considerado unanimemente como o favorito para o pleito marcado para daqui a 12 meses.