Em 24 horas, Caiado vira a mesa e fica mais perto da Presidência
O governador Ronaldo Caiado está no topo do noticiário político nacional. Em 24 horas, ele fez o que jornalistas de peso classificaram de “jogada de mestre” ou “lance fenomenal”: de uma vez, deixou para trás as contradições do seu partido, o UNIÃO BRASIL, que nunca fechou com a candidatura presidencial dele, e abriu uma nova e larga avenida rumo ao Palácio do Planalto com a revolucionária filiação ao PSD de Gilberto Kassab. De quebra, fortaleceu seu delfim Daniel Vilela como hipótese de fato vigorosa e irreversivelmente provável para governar Goiás nos próximos quatro anos.

Como diz o slogan metafórico da rádio BandNews, “em um minuto tudo pode mudar”. No caso de Caiado, bastou um dia para ele subitamente despontar com tudo o que lhe faltava: o apoio de um grande partido e o respaldo de uma liderança de expressão – o PSD e o seu presidente Gilberto Kassab. Calma: nem um nem outro se comprometeram em última instância com o projeto presidencial do governador goiano. O que eles fizeram foi oferecer condições para uma ocupação de espaço, ao lado dos dois governadores da legenda igualmente postulantes à sucessão de Lula: Ratinho Jr, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul. Um deles será o candidato.
Por ora, isso é o suficiente para Caiado, agora visto até como o guia emergente da direita democrática no Brasil. Mais ainda, ele produziu um milagre: transferiu-se do UNIÃO BRASIL, mas sem criar arestas, preservando integralmente o seu bom trânsito na sigla onde esteve durante toda a sua carreira política, ao mesmo tempo em que manteve intacto o seu relacionamento com os Bolsonaros, tendo recebido a aprovação do senador Flávio Bolsonaro (o filho ungido pelo Jair para disputar a Presidência) para a filiação ao PSD. Flávio saudou a decisão como um reforço na luta para derrotar Lula em outubro vindouro. Mis tarde, também vieram os elogios do Jair.
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Caiado tem motivos para sorrir de orelha a orelha. Está provado que ele é um articulador de mão cheia, por um lado, e, por outro, alguém que inclui elementos éticos e morais em todos os seus passos, o que acaba influenciando favoravelmente os eventuais parceiros. Ao aceitar se enfileirar ao lado de dois presidenciáveis, no PSD, mostrou humildade e senso de realidade. “Dei um exemplo, entrei em um grupo de pretendentes a disputar a Presidência da República, não entrei com nenhuma posição garantida”, comentou, com razão. Normalmente, políticos fazem exigências para ações de tamanha importância. Caiado, não. No entanto, ele sabe que tanto Ratinho Jr. quanto Eduardo Leite não são tão determinados assim na busca da candidatura e podem optar por vagas asseguradas no Senado. É possível, muito possível. E aí chegaria o momento tão esperado.
Tudo isso significa que o governador de Goiás está perto de uma façanha reservada a poucos na história do Brasil, qual seja concorrer com chances ao comando supremo da nação, graças aos méritos decorrentes de uma biografia limpa, do êxito inconteste da gestão à frente do Estado hoje o mais seguro dentre todas as Unidades da Federação e, a cereja do bolo, de uma imensa disposição para o diálogo e o entendimento. Sem falar na coerência ideológica, erigida sobre uma ampla base doutrinária, ao contrário de tantos políticos e até do atual presidente da República, que não passou do 4º ano primário. Como Churchill escreveu ao se tornar premier da Inglaterra no início da 2ª Guerra, “sinto que toda a minha trajetória foi uma preparação para esse momento”, da mesma forma Caiado está pronto para o maior desafio da sua vida.