Gracinha e Gayer são os nomes favoritos para o Senado, mas pode haver surpresa
Está próximo de uma definição o cenário em que se dará a disputa pelas duas vagas reservadas a Goiás no Senado, marcada para as urnas de 4 de outubro próximo. É possível que se apresentem entre oito e 10 candidatos, mas, desde já, o que se pode adiantar é que dois favoritos despontam: a primeira-dama Gracinha Caiado, pela base governista, e o deputado federal Gustavo Gayer. Não vai ser fácil mudar as expectativas de vitória de Gracinha e Gayer, mesmo porque um e outro deverão compartilhar, nos seus respectivos segmentos, o primeiro e o segundo votos. Outro ponto é que a aliança entre Caiado e o PL passou muito tempo em cogitação, gerando algum resíduo positivo para o Gustavo.

Explica-se: Gracinha tem uma presença avassaladora como dona do primeiro voto da maioria do eleitorado. Ele só perde essa condição junto ao bolsonarismo, migrando para o segundo voto. Igualmente, Gayer, é óbvio, absorve a primeira opção da ultradireita, beneficiando-se do segundo voto quando se trata de quem prefere Gracinha como a primeira escolha. Isso não é chute. Ao contrário, é o que diziam as pesquisas publicadas até o final do ano passado, quando não se exigia ainda o registro na Justiça Eleitoral – obrigatório no ano das eleições.
Não à toa, Gayer percebeu a sua situação privilegiada e se desdobrou para o fechamento de um acordo com a base governista, pelo qual ocuparia a segunda vaga senatorial, ao lado de Gracinha. Seria praticamente uma garantia ou a quase certeza de conquista do mandato. Enfiando na cabeça a obsessão em se aventurar na corrida pelo Palácio das Esmeraldas, Wilder Morais se mexeu e derrubou uma composição que já estava selada. Será o candidato do PL a governador e a Gayer só restou se conformar em figurar na chapa de Wilder como um dos postulantes ao Senado – perdendo o impulso extra que ganharia da primeira-dama.
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De qualquer forma, Gayer ainda é um dos favoritos, junto com Gracinha, mesmo em palanques diferentes. O xis da questão está na possibilidade de uma surpresa decorrente da falta de supremacia do bolsonarismo em Goiás. Notem, amigas e amigos: no pleito municipal, em Goiânia e em Aparecida, candidatos a prefeito identificados com o ex-presidente enjaulado foram derrotados, prevalecendo respectivamente Sandro Mabel e Leandro Vilela – desaposentados pelo governador Ronaldo Caiado e impulsionados por ele para o pódio. Sim, a conclusão é essa mesma que está na cabeça das leitoras e dos leitores: o “caiadismo”, digamos assim, é maior do que o bolsonarismo. A sua condição de cabo eleitoral número um do Estado aumenta as chances de, no frigir dos ovos, ou votos, levar à consagração de um segundo nome governista dentre os três que acompanharão Gracinha (Vanderlan Cardoso, Zacharias Calil e Alexandre Baldy são os mais cotados).
É o chamado “efeito mochila”, ou seja: de repente, qualquer um – Vanderlan, Zacharias ou Baldy – pode ser “carregado” pelo potencial de arrasto encarnado em Gracinha Caiado. Gayer, só com os votos do bolsonarismo, arrisca-se a uma derrota. Não parece provável, porém não é de se descartar. A base governista está espraiada por todos os 246 municípios, em formato hegemônico, com capacidade para mover montanhas daqui até a data da votação. Mal comparando, a campanha de Wilder Morais, isolado no PL, tende a mobilizar uma fração das multidões e dos recursos que estarão empenhados na eleição de Daniel Vilela e dos seus candidatos ao Senado. E isso pode custar caro para Gustavo Gayer.