Pré-candidato sem pré-campanha: Wilder não se mexe e fica estagnado nas pesquisas

Parece incomum e para lá de estranho: depois de se apresentar como candidato a governador pelo PL, com anúncios nas redes sociais no início de fevereiro, o senador Wilder Morais pouco ou nada fez buscando ganhar visibilidade e tentar algum crescimento nas pesquisas, tanto que, desde aquela data ou antes até, permanece estagnado na faixa de 9 a 11% das intenções de voto – enquanto o governador Daniel Vilela (MDB, em 1º lugar, considerado favorito, alcança uma pontuação 4 vezes maior, batendo nos 43%, e o ex-governador Marconi Perillo, na 2ª posição, chega a pouco mais que o dobro de Wilder, na faixa dos 20 a 24%.
Esses números representam a média dos últimos levantamentos de 4 institutos de credibilidade: Genial/Quaest, Atlas/Intel, Paraná Pesquisas e Real Time Big Data. No caso de Wilder, seus índices são os mesmos de sempre. Não diminuíram, mas também não cresceram. Simplesmente não se mexem, com o agravante de que o próprio senador se omite e não denota que tem essa vontade, ainda que minimamente, a menos de 19 semanas da data das urnas. E em um momento em que a concorrência trabalha duro.
Daniel Vilela vai a todos os cantos do Estado, lança obras e projetos, dá entrevistas e formula planos de olho no futuro, que é o que interessa de fato em uma eleição para o Executivo. O governador conta com a óbvia vantagem da visibilidade garantida pelo cargo. Porém, Marconi Perillo, mesmo limitado pela reduzida penetração do seu partido, o PSDB, e pela elevada rejeição interposta como uma verdadeira muralha entre ele e a população, se esforça para ir aos municípios e reunir gatos pingados aqui e acolá. Wilder, zero. Semana passada promoveu um almoço destinado a receber 300 convidados na sua chácara de Nerópolis, número já pequeno que terminou sendo menor ainda, em torno de 50 a 60 presentes. Além disso, foi à Vila São Cotolengo (aproveitou o dia para uma esticada até a obra da Basílica do Divino Pai Eterno) e a uma Associação de Portadores de Deficiência. Cereja do bolo: um encontro rápido com Flávio Bolsonaro em um evento de prefeitos, em Brasília. Para oficializar a sua candidatura, programou um evento para o distante dia 27 de junho. E só.
Todas essas informações estão no perfil de Wilder Morais no Instagram. Em 10 dias, somente 11 postagens, a propósito, para apenas 171 mil seguidores e com baixíssimo escore de likes, o que sugere o uso de recursos artificiais de audiência. No mesmo período, Daniel Vilela promoveu 32 publicações (algumas com mais de 4 mil likes) e Marconi Perillo 24 (nas de melhor repercussão, até 1.200 likes). A diferença, venhamos e convenhamos, é assombrosa. Significa que Wilder ou não sabe o que fazer em termos de pré-campanha ou adotou uma estratégia de imobilismo, como suspeitam interlocutores próximos, talvez sonhando em repetir a campanha bem-sucedida para o Senado, em 2022, quando igualmente jogou parado e na reta final acabou impulsionado pelo surto bolsonarista que elegeu a maioria dos senadores pelo Brasil afora.
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Dizem ainda, de resto, que ele não gosta de falar com a imprensa, preferindo o conforto e a segurança das manifestações controladas pelas redes sociais. Wilder, reconhecidamente, não tem o dom da palavra e provavelmente por isso mesmo evita se expor. Comete erros grosseiros de português e evidencia um raciocínio rudimentar (no que combina perfeitamente com o bolsonarismo que alega representar em Goiás), de quem foi educado (é engenheiro) sob luzes escassas. É obcecado por apregoar uma origem humilde, já que teria nascido em um casebre na zona rural de Taquaral e hoje se transformou em magnata dos negócios. Nem antes de se lançar na corrida do Palácio das Esmeraldas nem no exercício do mandato senatorial (contabiliza 10 anos sentado na mais alta Câmara Legislativa do país) nem depois do anúncio do seu nome chegou a falar em propostas, ideias ou projetos para defender os interesses do Estado e melhorar a vida das goianas e dos goianos.
É um comportamento inusitado, esse de Wilder Morais. Não tem nada a ver com um pré-candidato a governador, ou seja, um político (coisa que ele não é, assumindo muito mais o perfil de um milionário diletante na política) que tem a pretensão de governar um Estado – missão que não deveria estar conectada a nenhuma ambição pessoal e sim assumida como um encargo de trabalho a favor de ideais coletivos. Ou, quem sabe, ainda que inconscientemente, toda essa inércia decorra do autorreconhecimento emocionalmente subjacente de que se trata de um desafio para o qual as suas qualificações e habilidades são inexistentes. Não é fácil entender e principalmente não é suficiente para levar a uma vitória eleitoral. Talvez Freud explique.