Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

17 jun

Ana Paula Rezende já tem 4 meses de filiação ao PL e até agora não levou ninguém

A filha de Iris Rezende, Ana Paula, completou 4 meses da filiação ao PL e do anúncio de que estaria na chapa de Wilder Morais escalada como vice. Até hoje, no entanto, não conseguiu levar ninguém para o seu novo partido. Apenas ela, isolada, tendo também se mostrado incapaz de promover por conta do seu nome um único evento de pré-campanha. Repercussão, na semana em que ela se transferiu de legenda, houve, mas durou pouco tempo. Fora daí, acompanhou o senador em uma ou duas agendas em São Paulo, para participar de atos bolsonaristas, e em Brasília. É um balanço exageradamente ralo para justificar o acoplamento de alguém, em posição nobre, a uma candidatura ao governo de Goiás, ainda mais com o estardalhaço do primeiro momento da adesão de Ana Paula ao PL.

 

 

Aparentemente, pelo menos até agora, foi muito barulho por nada. Tudo indica que nem Wilder Morais nem qualquer um no PL acreditam que Ana Paula acrescentará votos em 4 de outubro. A filha de Iris, ao contrário do pai, carece de qualquer estofo popular: como o marido, é empresária do ramo imobiliário, sendo também chamada de socialite pelos jornais e sites noticiosos. Ela é a administradora de uma imensa herança paterna e materna, estimada em mais de R$ 1 bilhão (só a milionária fazenda de Canarana, no Mato Grosso, estaria avaliada em mais de R$ 600 milhões). Isso dá trabalho e absorve tempo. Fora as raras aparições e fotos ao lado de Wilder e de figuraças do bolsonarismo, como o filho e candidato a presidente da República Flávio Bolsonaro, a contribuição de Ana Paula para a campanha tem sido mínima e assim deve continuar.

Em paralelo a tudo isso, Ana Paula cobriu com um manto de discrição o tal memorial dedicado a exaltar Iris Rezende, já parcialmente montado em um prédio público construído com dinheiro da prefeitura de Goiânia e do governo federal, na avenida Jamel Cecílio, conhecido como Casa de Vidro. Há um problemão aí, não só pelo uso de um imóvel de propriedade coletiva para homenagear um político que nunca foi unanimidade, como pela origem dos recursos para a montagem da exposição sobre o velho cacique emedebista e sua manutenção. Tudo vem do erário, desde os funcionários, passando pela conservação do prédio e chegando aos investimentos necessários para montar o acervo, em alguns casos com uso de inteligência artificial e materiais tecnológicos obviamente caros.

 

LEIA AINDA

Filha de Iris e viúva de Maguito na política: apenas muito barulho por nada

Memorial para homenagear Iris é até aceitável, mas… jamais com dinheiro público

Os 3 erros graves de Ana Paula Rezende (o 3º é o pior)

 

Apesar da fortuna, a família de Iris não está gastando um centavo com o memorial. Ana Paula reforçou o caixa recorrendo a emendas orçamentárias captadas entre os deputados estaduais e federais. Foi esse, aliás, o principal motivo citado quando ela abandonou o MDB: Daniel Vilela teria negado verbas do fundo partidário para aplicar no projeto e por isso ela se sentiu traída e foi para o PL. E, sim, é verdade: o próprio Daniel esclareceu que, como presidente estadual do MDB, não poderia direcionar fundos da sigla (oriundos dos cofres da União) para uma iniciativa de cunho particular – que, falando com franqueza, é o que é o memorial Iris Rezende. Há até quem diga que, se pudesse se manifestar a respeito, o próprio Iris seria contra a proposta, para fugir dos desgastes embutidos nos seus aspectos polêmicos.

Ana Paula, estrategicamente, anda calada sobre essa estória toda. Mas não recuou. As chaves da Casa de Vidro (concebida como um polo cultural para Goiânia) continuam com ela. Servidores municipais seguem trabalhando lá. E a grana das emendas já deve ter começado a entrar – e é muita. Mais dia, menos dia, vai tudo acabar muito mal. Tentativas semelhantes, como no caso do ex-presidente José Sarney, em São Luiz, no Maranhão, e do ex-presidente Ernesto Geisel, em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, chegaram até a ser canceladas pela atuação do Ministério Público, exatamente pela falta de lógica em celebrar a lembrança de quem quer que seja com… a pecúnia do povo. Goiás não é exceção.