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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

29 jun

Como expectativas frustradas destruíram Kajuru, que poderia ter sido um grande senador

Há oito anos, em 2018, o polemista profissional e apresentador Jorge Kajuru recebia 1,6 milhão de votos das goianas e goianos e se elegia para o Senado da República – depois de uma campanha, integrando a chapa liderada pelo governador Ronaldo Caiado, na qual incorporou a identidade do anti-Marconi Perillo, um dos seus adversários na disputa pelas duas vagas senatoriais então à disposição. Marconi, em meio a um inferno astral de escândalos e operações policiais, acabou caindo para o 5º lugar, com uma humilhante votação – 400 mil votos – correspondendo a quatro vezes menos que Kajuru. Em Goiânia e Aparecida, o ex-governador perdeu até para Agenor Mariano, do MDB, escorregando para o 6º lugar nesses dois colégios eleitorais.

Vanderlan Cardoso também foi eleito. Ele e Kajuru sinalizavam uma renovação brutal para a bancada de Goiás na mais alta Câmara Legislativa do país, mesmo porque seriam nomes com pouca identificação com a “velha política” (Vanderlan nem tanto). Kajuru, um debatedor nato, com ótima capacidade de expressão, língua afiada e ideias novas na cabeça, prometia um desempenho à altura de honrar as tradições do Estado no Senado – uma linha histórica de alto nível construída por figuraças como Pedro Ludovico, Mauro Borges, Henrique Santillo, Iris Rezende, Maguito Vilela e Ronaldo Caiado. A própria imprensa nacional avaliou o então recém-vitorioso senador como alguém destinado a brilhar na Legislatura a se instalar em 2019.

 

 

 

Mas o tempo, sempre o verdadeiro senhor da razão, passou e sequer um fiapo dessas expectativas sobre um Kajuru brilhando no Senado Federal se confirmou. A frustração foi total. Pior que ele empossou-se, mudou-se para Brasília e nunca mais colocou os pés em Goiás. Apequenou-se e apagou-se. Da sua boca, em uma tribuna de imensa repercussão institucional, jamais saiu qualquer contribuição para o eleitorado que o consagrou. Ou para as brasileiras e brasileiros, no geral. Se fez algum discurso, ninguém tomou conhecimento. Projetos, zero, a não ser uma bobagem midiática para acabar com a reeleição para cargos executivos, daquelas que vão para um escaninho no Congresso e lá adormecem em plácido esquecimento, sendo ressuscitadas de vez em quando como espantalhos legislativos. Aparentemente, o peso moral, social e político do Senado foi demais para Kajuru. Ele vergou, assumindo um papel decorativo muito abaixo das esperanças que cercaram a sua eleição.

 

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Na busca desesperada de uma saída, sem entender qual a real missão de um senador, Kajuru agarrou-se à distribuição aleatória de emendas orçamentárias, concentrando-se no erro de apenas enviar dinheiro federal para os municípios através de intermediários, sem disposição para aparecer pessoalmente ao menos para uma fotografia ao lado dos prefeitos beneficiados. Mandava assessores para fazer as entregas. E assim murchou até virar uma pálida sombra de tudo o que poderia ter sido como senador, em um caso sem precedentes de parlamentar eleito para representar Goiás que se transformou em um triste exemplo de desleixo e apatia no exercício de um mandato legislativo.

Não poderia dar em outro resultado: uma recondução, no pleito deste ano, tornou-se simplesmente impossível. De resto, mal pontua nas pesquisas, com exceção das tabelas de rejeição, que liderou enquanto foi citado, apontado em massa pelos entrevistados diante da pergunta: “Em quem você não votaria de jeito nenhum para o Senado?”.

Final amargo. E ainda por cima com um Kajuru revoltado, clamando contra as injustiças da vida. A caminho do ostracismo, avisou que planeja retomar a profissão de radialista. É o que sobrou e não se sabe se haverá interessados.