Wilder agora é “gestor” e “liberal”. Não acreditem nessa piada, leitoras e leitores
Jornalistas parceiros plantam que o senador Wilder Morais, candidato do PL a governador, seria “gestor” e “liberal”. Não explicam, pelas dificuldades inerentes, o que seria isso: “gestor” e “liberal”. Wilder, amigas e amigos, não é nem foi gestor ou liberal. Ele é um dos maiores oportunistas da história política de Goiás, esperto beneficiário do bolsonarismo que até os bolsonaristas mais sinceros e radicais do Estado denunciam ser uma das falsificações mais bem sucedidas da história recente – em termos de Brasil. Quer ser governador? Acrescente-se um cadinho de autenticidade e honestidade.

Vamos começar pelo “gestor”. Não, ele não é. Wilder é empresário bem-sucedido, embora ninguém saiba com exatidão quais são os seus negócios, qual o tamanho e a extensão. Corre por aí a estória de um ricaço goiano que investiu R$ 200 milhões no Banco Master e deu adeus a essa pequena fortuna (leia aqui). Seria Wilder? Se for, trata-se de uma informação arrasadora, que ele por enquanto não desmentiu. Agora, “gestor”? Só se for no reino da fantasia. Empresário é uma coisa, gestor é outra. Gestor implica em espírito público, conhecimento das necessidades coletivas, compromisso com o bem-estar e o futuro das pessoas. Outro dia, Wilder gravou um vídeo maluco para o Tik Tok dizendo que, pelo fato de ter nascido em um casebre na zona rural de Taquaral, adquiriu o hábito de sempre ajudar quem precisa. Simples: que ele aponte uma única pessoa, uma única, que ele ajudou sem ser dentro do contexto dos seus interesses financeiros. Taí o Tik Tok à disposição.
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Vale lembrar aqui Sandro Mabel. Também milionário, também capitão de empresas. É o mesmo caso de Wilder? Não. Mabel construiu uma vila para os seus funcionários, ao lado da sua antiga fábrica de biscoitos, na BR-153, em Aparecida. Está lá para quem quiser conferir. Não cobrou um centavo das famílias beneficiadas. É fato. É concreto. Um homem que, quando presidiu a FIEG, coordenou campanhas sucessivas para arrecadar alimentos e distribuir na periferia. Fez isso e deu o exemplo. Seu filho Sandro Marques Scodro, que comanda a GSA alimentos, uma das maiores indústrias estaduais, foi o maior doador de recursos e alimentos quando a Covid- atacou Goiás. Apontem para algo ainda que distantemente parecido, da parte de Wilder, e já seria meritório. Ele é ganancioso. É só para o bolso dele e para financiar a sua boa vida, na paradisíaca Angra dos Reis e dizem que também em Aruanã. Aliás, falando de Mabel e filho, aproveitem e perguntem pela família de Wilder Morais. Perguntem se ele é um homem de família e se cultiva esse tipo de valor (nas redes sociais já foi acusado por uma ex-esposa de sequer pagar pensão para os filhos).
Gestor, portanto, ele não é. Agora vamos ao mais absurdo de tudo: o “liberal” com o que um jornalista o presenteou. De cara, o conceito não se ajusta ao bolsonarismo de Wilder, ou seja, ao extremismo ideológico rastaquera usado para atrair votos dos incautos. Um liberal rejeita a interferência do Estado, acredita na tolerância e nos direitos individuais, além de defender a livre inciativa. Diz respeito mais a um país que a um Estado. Por isso, em Goiás, nenhum governador em mais de 40 anos foi liberal, já que todos, com exceção de Iris Rezende (e não à toa Ana Paula Rezende é a vice de Wilder) foram defensores de intervenções sociais (e pragmaticamente centro-esquerdistas), apostando fortemente em programas assistenciais (menos Iris, cuja justificativa para se recusar a gastar com solidariedade era a de que estimulava a preguiça). De resto, para ser um liberal – ou não – é preciso ter estofo, ideias, conteúdo na cabeça. Onde encontrar uma frase, uma palavra, uma vírgula de Wilder capaz de revelar altura intelectual ou profundidade de raciocínio? Nem pensar. Seu perfil, perfeito, é o do pobre de espírito, aquele do Novo Testamento. Aquele que não entrará no Reino dos Céus.