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06 maio

Globonews afirma que Wilder estava na lista do PT de 7 senadores do PL a favor de Messias

A ausência do senador Wilder Morais na sessão do Senado Federal que rejeitou o nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal foi uma surpresa e tanto: Wilder, desde o final do ano passado, chegou a dizer que não concordava com a indicação e que seu voto seria contra. Na hora H, não apareceu no plenário, apesar de, posteriormente, reconhecer: sim, estava no seu gabinete, no número 21 no Anexo II, Ala Senador Alexandre Costa, Pavimento 1.

 

 

Para complicar as coisas, é notório que um senador candidato a governador de Estado tendo como único trunfo a sua suposta identidade com o bolsonarismo e que, não se deve esquecer, deve sua eleição exclusivamente ao apoio desse segmento em Goiás, jamais colocaria em risco um patrimônio eleitoral de tamanha importância, como Wilder fez ao não comparecer – quando ainda não se sabia se Messias seria derrubado ou não. Um gesto como esse poderia afetar totalmente o seu futuro político, caso o nome de Lula tivesse sido referendado. Confiram, leitoras e leitores, a desculpa esfarrapada do senador:

“Quando cheguei ao plenário, a votação já havia sido encerrada. A sabatina na CCJ durou mais de cinco horas e a votação no plenário durou cinco minutos. Esse é o fato: Errei no tempo, mas não no meu posicionamento, porque sempre fui contra a indicação”, disse em um vídeo nas redes sociais, sem corar a face.

 

 

Segundo o jornalista Otávio Guedes, da Globonews, a história não é bem essa. Ele apurou que 7 senadores do PL foram relacionados em uma lista preparada pela liderança do PT para antecipar os votos a favor de Messias. Estavam lá Romário, Izalci Lucas, Marcos Rogério, Wellington Fagundes, Styverson Valentin, Zequinha Marinho e Wilder Moraes. Certo, é fato que as previsões dos articuladores petistas falharam, já que Messias não passou. Mas… por que Wilder despontou em um “documento” a que Otávio Guedes teve acesso e anunciou que vai guardar no seu arquivo como “relíquia”?

 

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A desconfiança do bolsonarismo sobre Wilder não é de hoje. Visto como oportunista em busca de vantagens pessoais e não político com comprometimento ideológico com a causa da extrema-direita, ele já despontou no alvo até de queixas do ex-presidente Jair Bolsonaro ao se posicionar a favor do governo Lula a cada 2 entre 3 votações no Senado. Após anos e anos de mandato, não se tem notícia de um único discurso ou reles aparte para defender o ex-presidente, o que só faz ruidosamente nas postagens atrás de preciosos likes nas redes sociais.

Veja a definição de Wilder Morais segundo um dos bolsonaristas mais tradicionais e ferrenhos de Goiás, o secretário de Cultura da prefeitura de Goiânia Uugton Batista:

O projeto político de Wilder Morais é pessoal, não é do PL, não é de Jair Bolsonaro, não é dos prefeitos, não é de Gustavo Gayer, não é de Major Vitor Hugo e tampouco é dos eleitores goianos. Wilder foi eleito senador na onda bolsonarista. Sem o bolsonarismo, não se elegeria vereador em Goiânia. É por isso que Bolsonaro quer de Goiás nesta eleição (2026) um senador com ‘sangue nos olhos’ em sua defesa e na defesa do bolsonarismo — o que, a rigor, Wilder Morais não dá conta de fazer em Brasília e na mídia nacional”.

Atraso para chegar a uma sessão histórica do Senado é conversa mole. Mais grave é a cara de pau de Wilder, ao comemorar a derrota de Messias como se ele tivesse participado e ajudado. Em Brasília, todo mundo sabe que nada acontece por acaso e que sempre existem razões fortes por trás de cada atitude tomada no palco da política congressual. Vantagens inconfessáveis são distribuídas, mas ninguém admite nada. O que é certo, certíssimo, é que um parlamentar, se não vai a uma votação importante, por descuido ou acaso é que não foi. E, em se tratando, de um como Wilder, “boas razões” houve.