Sem memória: argumento de Marconi contra Daniel repete erro de Iris Rezende em 1998
Aqueles que se esquecem do passado estão condenados a repetir a história, mas como farsa ou tragédia. É mais ou menos o que dizia Marx – e, convenhamos, com grande razão. Eis aí à nossa frente o que acontece na atual disputa pelo Palácio das Esmeraldas: o ex-governador Marconi Perillo importou um marqueteiro, um certo Lula Guimarães, para comandar o seu proselitismo eleitoral – e ele, o tal Lula, começou com o pé esquerdo. Anunciou pomposamente que a estratégia a favor do seu cliente será a de mostrar um confronto entre “o certo e o duvidoso”, no qual “o certo é quem tem experiência de 4 mandatos de gestão administrativa (Marconi) e o duvidoso é quem só tem experiência legislativa e nenhuma de gestão (Daniel)”.

Marconi deve acreditar nessa bobagem, senão seu comunicador estratégico seria outro e não esse Lula Guimarães. Se escavar as suas memórias, ele, Marconi, se lembraria de que, em 1998, quando era o moço da camisa azul, sem nunca ter ocupado cargo público executivo algum, ganhou o Palácio das Esmeraldas contra Iris Rezende, o maior construtor de infraestrutura da história de Goiás, naquela época já com 2 mandatos de governador nas costas. E o que pregava Iris? Que Marconi nunca tinha administrado sequer um carrinho de pipoca e que seria uma verdadeira loucura ou irresponsabilidade entregar uma gestão pesada como a de um Estado a um novato no ramo. Deu com os burros n’água.
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A metáfora preferida nos comícios de Iris Rezende em 1998 era a de um grande ônibus em uma ladeira, representando Goiás. Um motorista despreparado não teria controle e acabaria causando um desastre. Isso era repetido dia e noite. Não adiantou. A população escolheu “o duvidoso” e mandou “o certo” para as calendas, tanto que Iris nunca mais se recuperou eleitoralmente e perdeu mais 3 eleições na sequência, uma para o Senado e 2 para o governo estadual. Tornou-se um político confinado aos limites de Goiânia.
Pois é essa a tese de campanha de Marconi, segundo o seu genial marqueteiro. Mandatos executivos não decorrem de fundamentos que estão em tempos pretéritos e sim são definidos a partir de expectativas quanto ao futuro. Fernando Henrique foi eleito presidente sem currículo de gestor. Lula, idem. Jair Bolsonaro, também. No caso de Goiás, neste ano, há um fator diferenciado a considerar: é forte o anseio social pela continuidade dos avanços inegáveis que o governador Ronaldo Caiado trouxe para as goianas e os goianos. O próprio Lula Guimarães, em um ato, falho, reconhece que o tema da continuidade é dominante para as urnas de outubro vindouro no Estado. Bisonhamente, parece acreditar que será possível vender Marconi como “o continuador” e não quem está legitimamente investido nessa condição, ou seja, aquele que Caiado acha que é o melhor para cumprir essa missão – sim, ele, Daniel Vilela. Marconi, jamais. E, para concluir, Daniel Vilela está longe de ser alguém “inexperiente”, ostentando um currículo de mandatos legislativos (foi até presidente da mais importante comissão da Câmara Federal, a de Constituição e Justiça) e um amplo portfólio como braço direito, uma imagem poderosa, no seu período como vice ao lado de Caiado e hoje titular do cargo. Tanto que, já na primeira avaliação feita pela Paraná Pesquisas, no início deste mês de julho, Daniel já surpreendeu com 74% de aprovação para a sua gestão. Precisa dizer mais alguma coisa?