“Cansada”. Wilder pisa na bola de novo ao falar da polícia em Goiás
Já está virando rotina: quando abre a boca, o senador Wilder Morais, candidato a governador pelo PL, acaba soltando besteiras. São gafes seguidas, resultado, em parte, da falta de conhecimento sobre políticas públicas e da inabilidade no manejo das palavras. Foi assim que, em um discurso aos tropeções na convenção do PL, Wilder inverteu as prioridades ao garantir que “em primeiro lugar eu vou defender você, Flávio, depois vou defender o nosso Estado de Goiás” (leiam aqui), provocando uma desgastante repercussão negativa.

Todo dia tem um deslize verbal do Wilder. Nesta sexta, 14 de agosto, O Popular publicou um resumo das declarações do candidato do PL na sua participação nas sabatinas do jornal com os postulantes ao Palácio das Esmeraldas(foto oficial do jornal, acima). Impressionante: os jornalistas disparam uma pergunta, Wilder responde o que quer, ignorando o tema levantado e se omitindo. Lembra Paulo Maluf, criador dessa técnica escapista: “Vocês, da imprensa, podem indagar sobre o que quiserem, porque eu vou responder o que eu quiser”, justificava o político paulista símbolo da corrupção no país.
O desafio que O Popular colocou para Wilder veio em uma interpelação sobre segurança pública em Goiás. Como se sabe, o ex-governador Ronaldo Caiado fez um trabalho de sucesso reconhecido nessa área, levando à queda drástica de todos os índices de criminalidade. Isso deixa a oposição desconfortável. Negar os avanços de Caiado com a polícia estadual seria ir contra a realidade e cair no descrédito. Reconhecer, corresponde a admitir de alguma forma que o sucessor escolhido pelo ex-governador, Daniel Vilela, é quem está em melhor condição para manter essa conquista. Como sair desse impasse?
Aparentemente, não há como. Daí que Wilder escolheu elogiar o clima de paz social hoje vigente para as goianas e goianos, com algumas críticas pontuais, fraquíssimas. Agora, a O Popular, saiu-se com uma que pode ser até ofensiva para os trabalhadores das forças policiais: eles estariam “cansados”. Ora, quem está “cansado” não entrega um bom desempenho. Logo, os membros das polícias civil, militar e penal vão mal no cumprimento das suas obrigações, em razão do “cansaço” enxergado por Wilder.

Marconi Perillo, outro candidato ao governo, vive o mesmo dilema. Na sabatina de O Popular(foto oficial do jornal, acima), também foi obrigado a falar bem da polícia, na tentativa de atrair a simpatia de um contingente de servidores que é volumoso. Mas resolveu apelar para o bolso de cada um. Alegou que os salários estão defasados e que ele, vitorioso, vai dar os aumentos necessários. Bom, porém os vencimentos dos policiais de Goiás são os maiores do Brasil, dentre todos os Estados. Eles, de fato, são remunerados à altura, o que não aconteceu nos seus 4 mandatos de Marconi. Na média, mais de R$ 15,6 mil por mês, só no caso dos PMs, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em relatório divulgado neste mês de agosto. E assim para todas as categorias.
Wilder – e Marconi – estão errados. Nem os policiais estaduais estão “cansados” nem ganham mal. A prova é que o número de ocorrências continua baixíssimo. Na elucidação de homicídios, por exemplo, Goiás é líder nacional: segundo o Instituto Sou da Paz, Goiás tem uma taxa de resolutividade de 86 a 92%, ou 9 entre 10 casos, muito acima da média brasileira de elucidação de crimes contra a vida. Profissionais “cansados” ou com salários defasados não conseguiriam, jamais, colher frutos tão positivos. Mais um escorregão de Wilder e outro tiro longe do alvo de Marconi.
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