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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

19 ago

O tímido e constrangido início da campanha de Wilder, caroneiro no evento de Gayer

O candidato do PL ao governo de Goiás Wilder Morais abriu a sua campanha com o pé esquerdo. Primeiro, foi mal ao programar uma missa em Taquaral, uma pequena cidade, quase uma corrutela, com 4 mil habitantes, onde ele nasceu. É o tipo de evento que não tem qualquer significado, a não ser revelar as dificuldades de Wilder – paradoxalmente o mais rico dos postulantes ao Palácio das Esmeraldas, disparadamente – para tocar o seu projeto com um mínimo de universalização entre o eleitorado estadual.

Em seguida, de Taquaral Wilder Morais correu para Goiânia, mais exatamente para a Praça Tamandaré, com o objetivo de pegar carona na festa (literalmente) de lançamento oficial de Gustavo Gayer para o Senado. Pode não ter sido uma boa ideia. No palanque montado por Gayer, abundavam políticos engajados na campanha da reeleição do governador Daniel Vilela, como os deputados federal Ismael Alexandrino e estadual Ricardo Quirino e vereadores como Igor Franco e Sanches da Federal, gente que, em resumo, não apoia Wilder.

 

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Jornais e sites de notícias classificaram o começo de campanha de Wilder Morais como “tímido”. O tradicional, em um momento estratégico como esse, é tentar vender uma imagem de força e poder, mesmo que às custas de uma mobilização paga de cabos eleitorais e efeitos visuais. Em 2018, o governista José Eliton promoveu no Goiânia Arena a apresentação da sua candidatura em um cenário apoteótico, talvez o maior já visto em Goiás. Deu a impressão de que um foguete potente estava decolando, muito embora, no final, tenha terminado em fiasco, em 3º lugar, atrás do vencedor Ronaldo Caiado e do 2º colocado Daniel Vilela. Mas executou bem a receita da largada.

 

 

Na Praça Tamandaré, Gayer montou um circo… para ele mesmo. De chapéu panamá de grife, Wilder Morais foi coadjuvante, desconfortável em meio à carência de faixas, cartazes ou adesivos, de peito principalmente, com o seu nome. Nada o lembrava. E com políticos discursando na cara dele, afirmando que estavam com Gayer, sem fazer referência ao candidato a governador. Humilhado (e não há outra palavra para definir o que houve), disse constrangido na sua fala que a presença de governistas, naquele momento, indicava a amplitude da liderança do candidato ao Senado pelo PL. Deu uma alfinetada indireta, ao declarar que, no caso dele, só apoiaria Gayer e Oséas Varão (o 2º candidato do PL) para o Senado.

Tudo isso leva a uma conclusão: Wilder Morais corre o risco de sair destruído da sua campanha para o governo estadual. Seu marqueteiro, Marcelo Vitorino, reconheceu para o site Diário de Goiás que ele não tem capacidade de expressão verbal: “Wilder não é uma pessoa versada para a fala, ou um político que vem de uma família tradicional, acostumado com os discursos. Ele não foi preparado para a fala”, detalhou Vitorino, deixando no ar um questionamento: como é que alguém que não sabe falar pode pretender um cargo, o de governador de Goiás, em que falar é justamente uma das qualidades primordialmente requeridas?

Wilder Morais, de fato, não tem apoio de lideranças de peso. Está isolado, confiando em um milagre na reta final, pelo qual o bolsonarismo estadual se levantaria para conduzi-lo à vitória. Mas as pesquisas mostram o contrário. Entre dito bolsonarismo raiz em Goiás, Daniel bate Wilder por 39 a 26% ou 13 pontos de vantagem, segundo o último levantamento da Genial/Quaest. Não é só. A gestão de Daniel é aprovada por 64%, de acordo com a Genial/Quaest. No entanto, entre os bolsonaristas, essa avaliação positiva sobre para 69%. É arrasador. Wilder não tem sequer a preferência do público que ele julga fiel à sua candidatura. Pior: Wilder (19%) perde para Marconi (21%) e Daniel (40%) entre a direita não-bolsonarista, sempre conforme a mais recente Genial/Quaest. O “nós, da direita”, que ele vive entoando, passa longe da realidade e prenuncia o desfecho da aventura em que se meteu: derrota. Se ficar em 3º lugar, atrás de Marconi Perillo, que mantém a 2ª colocação, como apontam hoje todas as pesquisas, simplesmente desmoralizante.