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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

04 set

Pesquisas sugerem que Wilder pode estar tomando o 2º lugar de Marconi e há motivos para isso

 

Surgiu uma linha evolutiva nas pesquisas de credibilidade sobre as eleições para o governo de Goiás: o senador Wilder Morais (PL) parece caminhar para tomar o 2º lugar do ex-governador Marconi Perillo (PSDB), um movimento, aliás, já cogitado como possível desde há muito tempo. Justifica-se: enquanto Marconi é confinado por uma rejeição recorde de 40 a 50%, a depender do levantamento, Wilder teoricamente se beneficia de uma base eleitoral clara, qual seja o bolsonarismo militante no Estado.

Marconi meteu-se em uma aventura: sua candidatura ao Palácio das Esmeraldas verga sob o peso não só da estratosférica rejeição ao seu nome, como também padece de isolamento político, falta de alianças partidárias, reduzidos 30 segundos de tempo no horário gratuito do rádio e televisão e renovação do seu envolvimento em escândalos, como os R$ 14 milhões sem explicações recebidos do Banco Master e o rolo com as verbas federais para reforma do Jockey Club de São Paulo. Em resumo, não é exagero afirmar que, como elemento proveitoso de campanha, o ex-governador só tem a favor o amplo conhecimento popular do seu nome, resultado dos 20 anos de mando como um semideus na política estadual. Fora esse recall, não há mais nada de positivo para sustentar a sua tentativa de voltar ao governo.

Wilder Morais, ao contrário de Marconi, tem uma rejeição média (no seu caso, a sua limitação é que é bem mais alta, por exemplo, em relação a do líder das pesquisas, o governador Daniel Vilela, do MDB). Mas a sua vantagem é a base bolsonarista, dentro da qual, a propósito, perde em preferências de voto para Daniel, porém supera Marconi com folga, conforme demonstrado pelo último levantamento da Quaest. Isso dá a ele, Wilder, a chance de melhorar a sua pontuação, até o fim de agosto estagnada entre 9 e 12%, e agora, nas pesquisas da Real Time Big Data e da Atlas/Intel evoluindo, respectivamente, para 17% e 20,1%, enquanto Marconi, também já aparece em queda na Atlas/Intel, em 3º lugar, com 16,1%, enquanto na Real Time ainda segura o 2º lugar com 22%.

 

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A conferir, nas próximas pesquisas, se essa troca de posições sinalizada entre Wilder Morais e Marconi Perillo vai se firmar ou não passa de um soluço. Se houver uma consolidação, com Wilder em 2º e Marconi em 3º, é exatamente o que estava previsto, inclusive em inúmeros comentários deste blog. E olha lá se, esmagado pela elevada rejeição, a queda do ex-governador tucano não o derrubar para o 4º lugar, em benefício da promoção do petista Luis Cesar Bueno para a 3ª colocação. É o preço a pagar por mais uma decisão equivocada dentro da interminável série que vem impondo derrotas a Marconi desde 2018, quando ficou em 5º lugar na corrida de então pelo Senado, e em 2022, quando terminou em 2º também em um pleito senatorial: depois dessas derrotas, o bom senso e uma avaliação realista do cenário indicavam para este ano a escolha segura por uma cadeira na Câmara dos Deputados. Aí está, portanto, mais uma vítima da húbris que os gregos antigos enxergavam em quem se comportava com base apenas na vaidade e na arrogância excessivas.