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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

11 set

Aprovação elevada de Daniel Vilela fez a oposição perder o discurso e o rumo

Está em andamento uma das campanhas mais frias da história política de Goiás. Nada acontece. Os programas do horário gratuito de propaganda no rádio e na televisão são monótonos, convencionais, atraindo pouca atenção. Nas ruas, pouquíssimo movimento, mal se registrando bandeiraços ou adesivaços. A sucessão para o Palácio das Esmeraldas ainda não motivou a população, convencida, segundo demonstram as pesquisas mais credenciadas, de que preservar os avanços das gestões do ex-governador Ronaldo Caiado é o mais conveniente para o futuro do Estado e, também a se julgar pelas pesquisas, consciente de que essa continuidade será garantida pela reeleição do governador Daniel Vilela MDB). E é por isso que ele, Daniel, ganha cada vez mais tração.

 

 

Daniel Vilela lidera a corrida eleitoral com tranquilidade. A 3 semanas da data das urnas, não deixa de aumentar as intenções de voto a cada levantamento, aumentando a distância que o separa da concorrência. Esses não conseguem desfiar um discurso crítico e crível a respeito do adversário. Insistem, até hoje, em acusar uma suposta inexperiência administrativa, argumento sem a menor repercussão entre as eleitoras e os eleitores – os mesmos que, nas últimas pesquisas Quaest e Paraná, aprovam o governo de Daniel Vilela com índices que variam entre 60 e 75%. Nesta sexta-feira, 11 de setembro, a Paraná Pesquisas atualizou para 72,8% a avaliação positiva para o governador em busca de mais um mandato.

 

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Uma regra não escrita das eleições no Brasil estabelece que governantes bem aprovados nunca perdem seja tentando a recondução seja indicando um sucessor do peito. Para Daniel Vilela, configurou-se um duplo benefício: tanto ele é visto como um gestor experiente e bem-sucedido pelo eleitorado quanto foi escolhido por um governador que concluiu o seu trabalho premiado pelos aplausos de mais de 88% das goianas e dos goianos, recorde nacional. Acrescente-se uma baixa rejeição (16,8%, conforme a Paraná), o respaldo de uma ampla frente partidária e de lideranças de peso (inclusive de 227 dos 246 prefeitos), a convergência dos esforços de uma volumosa militância e da chamada “máquina”, o maior tempo no horário gratuito de rádio e televisão (praticamente a metade) e, quanto aos seus méritos pessoais, uma biografia limpa e, apesar da juventude, recheada com mandatos cumpridos com sucesso.

Diante de tudo isso, conclui-se que a oposição – Marconi Perillo (PSDB), Wilder Morais (PL) e Luis Cesar Bueno (PT) – acabou sem estratégia para enfrentar um candidato favorecido por um cruzamento raro de variáveis eleitorais assertivas. Marconi e Wilder, diariamente, repetem como papagaios a lorota de que eles é que dão conta do recado e são melhor preparados para governar. Ninguém acredita, como provam as pesquisas que colocam Daniel Vilela no topo da aprovação popular como gestor. Luis Cesar, carregando o fardo do petismo em um dos Estados mais conservadores do país, mal é notado e não entra de fato nesse jogo.

Para Marconi Perillo, há o adicional da rejeição estratosférica, entre 40 e 50%, que ele finge ignorar, mas, na verdade, simplesmente elimina suas chances. No caso de Wilder Morais, os obstáculos estão na ostensiva falta de preparo do candidato, incapaz de emendar duas frases com coerência, e na sua aposta no voto ideológico, na crença de que o seu suposto bolsonarismo seria suficiente para eleger um governador para Goiás. Não é. E nem os próprios bolsonaristas se engajam maciçamente com Wilder, de acordo com a apuração da última pesquisa Quaest – ao mostrar que quase a metade desse segmento prefere Daniel Vilela, mesmo contingente encontrado entre a direita não bolsonarista estadual. Em um cenário como esse, só uma hecatombe poderia mudar o resultado a ser anunciado na noite de 4 de outubro.