Candidatura antecipada de Caiado sinaliza futuro seguro para a base governista

Em um gesto até certo ponto surpreendente, o ex-governador Ronaldo Caiado veio a público após o desfecho do 2º turno das eleições presidenciais para anunciar que permanecerá ativo na política pelos próximos anos, sem se aposentar, deixando em aberto a possibilidade de se recandidatar a governador de Goiás em 2030 – quando Daniel Vilela estará concluindo seu mandato sem possibilidade legal de reeleição.
Caiado, em 2030, terá entrado na faixa dos 80 anos. Mas, convenhamos, o ex-governador é um homem em excelente forma física. Cuida da saúde com esmero. Nunca demonstrou cansaço com as suas atividades e nem mesmo tirou férias durante os seus quase 8 anos como inquilino do Palácio das Esmeraldas. Treina e pedala rotineiramente, além de, como médico, manter uma agenda de cuidados preventivos. Na política, colecionou mandatos consecutivos por 32 anos. E é nela que, conforme avisou, vai continuar.
Para a base governista, hoje imensa, é uma notícia que funciona como farol para um futuro seguro, emulando aqui o slogan da campanha vitoriosa de Daniel Vilela. Primeiro, por cortar as veleidades que sempre vicejam quando se tem no cargo um governador que não pode ser reeleito e, assim, teoricamente abre a vaga da sua sucessão. No caso de Goiás, essa porta foi fechada, suprimindo incertezas e ambições descontroladas: o candidato, desde já, será Caiado e ninguém em sã consciência vai questionar essa inevitabilidade.
Arroubos já começavam a despontar aqui e ali. O prefeito de Anápolis Márcio Corrêa, que mal completou 2 anos na função, chegou a estimular notícias de que estaria interessado em disputar o governo estadual. Algo meio precipitado, já que tem uma reeleição pela frente, daqui a 2 anos, sem falar que carece profundamente de afirmação política e administrativa. Anápolis entrou em um processo de decadência econômica aparentemente irrefreável, arrastando para baixo a gestão sem novidades de Márcio Corrêa.
(Definitivamente, Anápolis deixou de ser a potência do passado no ranking dos PIBs municipais de Goiás. Sempre manteve o 2º lugar, a partir de um certo momento ameaçada por Aparecida, mas resistindo. Agora, veio a má notícia: Anápolis desabou. E desbancada não apenas por Aparecida, mas também por Rio Verde, que passou a ocupar a 2ª posição, vindo Aparecida na 3ª colocação, e aí, no 4º lugar, tudo isso empurrando Anápolis para baixo, conforme a última apuração do IBGE).
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Maior vantagem de Daniel Vilela é a identificação com Caiado
Outro ponto positivo da candidatura prenunciada de Caiado em 2030, para a base governista, é que o estilo do ex-governador de antecipar decisões provou ser bem-sucedido no episódio em que ele, um ano e meio antes das eleições de 2022, articulou e executou uma composição com o MDB, resultado na escalação de Daniel Vilela como o seu vice. Houve reações e críticas, acusando a falta de temporalidade do movimento, porém, no final, deu tudo certo. Não só Caiado foi reeleito em 2022, no 1º turno, como Daniel venceu agora, em 2026, também no 1º turno, aliás com mais folga ainda do que o próprio Caiado nas suas eleições para governador.
Não há dúvidas de que Caiado é um político dotado de visão de longo alcance, conforme demonstrado em ocasiões estratégicas como no acordo com o MDB e unção de Daniel Vilela como vice na chapa de 2022. E parece ser isso o que novamente está acontecendo: a rota da base governista para os próximos anos está cristalinamente desenhada, facilitando a orientação de todos os seus integrantes. Convém lembrar, mais uma vez: o maestro dessa orquestra é e seguirá sendo Caiado.