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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

10 abr

Ajuda que Caiado espera do governo federal é improvável, mas pode até vir e, se vier, infelizmente será mais nociva do que positiva para Goiás

O governador Ronaldo Caiado sonha acordado com o apoio financeiro do governo federal para resolver as suas agruras financeiras, mas, se pensar melhor, desistiria dessa ilusão para implantar um severo ajuste fiscal imediatamente e por conta própria, sem depender de nada ou de ninguém, a não ser a sua própria coragem ou vontade política.

 

Na verdade, a ajuda que Caiado espera é o afrouxamento das regras que, hoje, impedem o acesso de Goiás a operações de crédito. É um mau começo, portanto. E de onde se deduz que os bilhões e bilhões que o Estado já deve serão acrescidos de mais bilhões e bilhões. Ora, onde é que aumentar a dívida é solução para quem já está no buraco? É bom, leitora e leitor, saber que todo esse desespero do novo governador atrás de amparo em Brasília não passa da busca de uma autorização para aumentar o endividamento do governo goiano. No fundo, um tipo submissão à agiotagem que vai explodir no colo dos governadores do futuro – confira aqui.

 

Isso não é solução. É paliativo e dos piores. Caiado quer que o governo federal conceda à sua gestão um prêmio pelo mau comportamento dos seus antecessores, repetindo em parte os malfeitos que eles fizeram quanto ao não enfrentamento dos problemas reais. E, até agora, Goiás não sinalizou com a mudança de nenhuma das políticas públicas equivocadas do passado, como gastar com programas sociais sem ter condições para isso ou distribuir desenfreadamente benesses aos seus funcionários públicos – o que Caiado, no seu primeiro mês, fez ao adicionar mais de R$ 70 milhões à folha mensal, a título de promoções, vale alimentação e outras vantagens que ele se comprometeu, na campanha, a autorizar, mesmo sem saber se o caixa estadual teria condições para tanto.

 

Não é só. Se vier alguma ajuda federal, mesmo em forma de liberação de empréstimos, Caiado vai ganhar sobrevida para postergar as duras e difíceis reformas que o seu governo teria que fazer para melhorar os fundamentos da máquina administrativa estadual. Quer dizer, a pressão será aliviada e ele, como todo governante, enveredará pelo caminho das decisões que atraem simpatia política e social, adiando as medidas impopulares de corte e enxugamento que ninguém, no poder, gosta de adotar. E isso tanto é verdade que, desde já, mediante apenas a expectativa vazia de um futuro amparo do governo federal, o governador segue adiando indefinidamente a implantação de um programa consistente para a superação da crise fiscal e não enfrenta para valer a necessidade de um novo pacto de governo.

 

Vamos torcer, seguidoras e seguidores deste blog, para que esse tal socorro de Brasília nunca chegue. Será melhor para Goiás.