Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

11 abr

Na avaliação de 100 dias, Caiado, claro, só falou sobre o que fez de bom. Mas acertar é obrigação. O importante, que é mostrar consciência sobre os erros, para que sejam corrigidos e não se repitam, ele não fez

Em um artigo em O Popular e também no palavrório que despejou durante uma entrevista coletiva, o governador Ronaldo Caiado fez um balanço dos seus primeiros 100 dias de governo – e é claro que enumerou apenas os fatos que considera positivos e que comprovariam, segundo ele, o acerto das suas decisões e o quanto a sua gestão tem feito de bom para Goiás.

 

Não poderia ser de outra forma. Governantes, de um modo geral, têm pouca humildade e no mais das vezes, quando falam de si próprios, é só para se engrandecer e para a autoglorificação. Claro que Caiado, com o seu conhecido ego, jamais seria capaz de admitir erros ou inconsistências na sua gestão, apesar de ter dito, na mesma entrevista, que é capaz de reconhecer equívocos e corrigir sua atitudes.

 

Na verdade, não é e, se fosse, a primeira afirmação que teria colocado no artigo e no colóquio com a imprensa seria a admissão do tremendo engano que cometeu ao deixar de pagar a folha de dezembro ao funcionalismo. Parece evidente, hoje, que se tratou de uma medida destinada a carimbar a imagem nacional de Goiás como um Estado mergulhado em calamidade financeira e, na sequência, atrair apoio do governo federal para a superação da suposta crise fiscal. Em uma matéria publicada nesta semana, o jornal O Globo lista Estados que estariam em dificuldades a partir justamente do critério dos salários atrasados dos seus servidores. Caiado, ao aplicar a barrigada de dezembro na barnabezada, conseguiu caracterizar  e dar visibilidade para a má situação do caixa estadual.

 

Voltando aos 100 dias: tudo o que o governador celebrou nas resenhas que fez não passa de mera obrigação de qualquer administrador público. Óbvio que não há problema algum na constatação de que ele cuida de exaltar o que é o seu dever fazer, embora possa ser identificado nesse comportamento um quê de coisa antiga e superada. A verdadeira e necessária reflexão, completados os 100 dias, seria sobre os erros em que o governo incorreu. Há o caso da Saneago, que nomeou funcionários suspeitos (presos anteriormente, inclusive) para o seu alto escalão – mais detalhes aqui – ou das nomeações de pessoas sem qualificação para os Conselhos de Educação e de Cultura, sem falar na parentalha que se infiltrou em cargos estratégicos e continua entrando. Ou na ausência de um plano de desenvolvimento para o Estado. Sobre esses temas, Caiado não deu uma palavra.