Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

08 maio

Reforma administrativa deve passar sem maiores problemas na Assembleia, mesmo com o governo ainda sem uma base de apoio formatada. O motivo? Não faz mudanças realmente importantes

O projeto da segunda parte da reforma administrativa deve ser aprovado pela Assembleia Legislativa, provavelmente com alguns acréscimos que os deputados farão, mas sem tocar no seu conteúdo. É que a matéria não tem nada de polêmico, promove cortes ínfimos nas despesas do Estado e basicamente se concentra em uma reorganização jurídica do quadro de funcionários comissionados – cujos cortes já foram cantados e decantados desde o primeiro dia da posse do governador Ronaldo Caiado e sempre foram sobejamente conhecidos

 

Não há novidades, portanto. E, não havendo, não existe razão plausível para que a reforma não seja ratificada pelos parlamentares. A apreciação não valerá como teste para a existência ou não de uma base de apoio ao Palácio das Esmeraldas, na Assembleia. Esperava-se um projeto que, no final das contas, diante da expectativa criada, acabaria mexendo com a estrutura administrativa do Estado, diminuindo órgãos, promovendo privatizações e extinções e, de fato, capaz de alterar de alguma forma mais radical o modelo em que a máquina governamental está hoje assentada. Fiasco. Não aconteceu nada disso. Um deputado de oposição consultado por este blog garantiu que a reforma é tão pouco ousada que não há como nem mesmo arguir alguns pontos para efeito de exploração política. “Não há por que não votar a favor. Não compensa ficar contra”, resumiu.

 

Como Caiado vive repetindo que está fazendo o “dever de casa” em termos de economia e inclusive, na sua visão, achando que estaria mais apto que qualquer ou governador de Estado a receber socorro de Brasília, imaginava-se que a segunda parte do seu arranjo administrativo teria pitadas de algo revolucionário e talvez até com alguma profundidade. Como as 257 páginas encaminhadas à Assembleia não trazem nada disso, não há motivo para debates. Do ponto de vista dos deputados, é votar a favor e ponto final.