Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

25 jun

Imprensa goiana é acrítica e, fora este blog, a jornalista Cileide Alves e o Jornal Opção, não entendeu que a liminar do STF suspendendo as parcelas da dívida estadual é desastrosa para Caiado

A imprensa em Goiás é maciçamente declaratória, ou seja, publica notícias sem oferecer aos leitores uma avaliação mínima sobre os fatos e acontecimentos da cena estadual. Não é de se estranhar, assim, que haja uma fuga de público, esvaziando a audiência dos veículos impressos e falados – que geralmente só noticiam tardiamente o que as mídias sociais já exauriram horas antes e nada aprofunda.

 

Aparentemente, a liminar que o governador Ronaldo Caiado obteve no Supremo Tribunal Federal suspendendo o pagamento de parcelas da dívida de Goiás foi uma vitória capaz de assegurar a viabilidade financeira da sua gestão. Ora, simplesmente não é verdade. A decisão do STF complica a vida de Caiado e tem consequências danosas para o Estado, por ter sido produzida a partir de um pedido errado da Procuradoria Geral do Estado e impor a efetivação de um programa de austeridade fiscal em exíguos seis meses, além de forçar a adequação das despesas com a folha – de ativos e inativos – ao percentual de 60% da Receita Líquida Corrente, nesse caso em oito meses, conforme determina a Lei de Responsabilidade Fiscal e Caiado não tem a menor chance de conseguir em prazo tão apertado.

 

Apenas este blog, a jornalista Cileide Alves, em seu artigo do último domingo em O Popular, e o Jornal Opção esclareceram o que realmente significa a liminar. Cileide Alves observou que o governador e sua equipe econômica não souberam digerir o despacho do STF, anunciando que procurariam nos próximos dias as autoridades respectivas do governo federal para entender o alcance da sentença. “O governo de Goiás não sabe o que fazer e anda em círculos”, comentou ela. Para o Jornal Opção, o veredito do STF “parece positivo, mas é um remédio amargo para o governo”. E aqui, leitora e leitor, pode ser conferida a opinião deste blog.

 

Nem sempre as coisas são como as aparências mostram. A liminar do STF pode ser definida como calamitosa para um governador que almejava ser amparado pelo governo federal, sem ser forçado a oferecer contrapartidas, facilitando assim a manutenção do modelo de Estado baseado no desequilíbrio entre receita e despesa que foi herdado dos seus antecessores. Judicialmente, Caiado passou a ser obrigado a implantar, em prazo curtíssimo e, por que não dizer?, inviável, o ajuste fiscal que ele propagandeou da boca para fora, mas nunca teve a intenção de adotar – por uma razão muito simples: as medidas necessárias são impopulares e político nenhum quer seguir por esse caminho.