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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

02 jul

Caiado completa 6 meses de governo e 10 meses desde a eleição(3): setor que supostamente avançou, segurança vinha melhorando desde o ano passado com dados sem auditagem independente

Para marcar os seus seis meses de governo (e dez meses desde que foi eleito), o governador Ronaldo Caiado concentrou o seu esforço de marketing na segurança pública – único setor da sua gestão com aparentes números favoráveis a apresentar. Caiado reuniu um grupo de militares para exaltar uma espetacular reação das polícias estaduais, que teriam saído da inércia do passado, assim que ele assumiu, para reduzir a pó a criminalidade em Goiás.

 

O problema é que a transparência da Secretaria de Segurança Pública sempre foi precária e assim continua. Seu site na internet e suas redes sociais são, sem trocadilho, um caso de polícia. O insuspeito jornal O Popular acompanhou a prestação de contas de Caiado e registrou que “os dados estavam suspensos há seis meses e só foram disponibilizados agora. Apesar disso, constam apenas ocorrências de 2017 aos dias atuais. Dados de 2011 a 2016 permanecem suspensos”, detalha a reportagem de Catherine Moraes, aliás um primor de objetividade. Ou seja: as estatísticas são parciais e carecem de credibilidade, ao não permitir a comparação com o que aconteceu nos anos anteriores.

 

A esse “defeito” que torna difícil acreditar plenamente nas anunciadas e celebradas conquistas na área de segurança, acrescentem-se uma informação valiosa, também de O Popular, e uma constatação que é muita séria e sempre levada em consideração pelos especialistas em todo o país: 1) desde o ano passado, os índices de criminalidade em Goiás estão caindo. Esse, de resto, tem sido um fenômeno nacional, comemorado há poucos dias pelo ministro da Justiça Sérgio Moro. Há quem enxergue no fenômeno uma causa, digamos assim, psicossocial, que seria a assunção de um presidente duro na queda e um ministro comprometido como Jair Bolsonaro e Sérgio Moro e a imagem de severidade e rigor que projetam sobre a sociedade. E 2) toda e qualquer estatística na área policial deve indispensavelmente passar por auditagem independente e não se limitar a reproduzir, apenas, as alegações dos órgãos policiais. É por isso que é recorrente, aqui no Estado, a contradição entre os resultados que a Secretaria de Segurança apresenta e o que, posteriormente, é publicado por projetos de acompanhamento não governamentais como o Atlas da Violência ou o Monitor da Violência (este do site G1) ou, ainda, o Observatório de Segurança Pública, todos não ligados a qualquer interesse do Poder Público e portanto muito mais críveis

 

Caiado, ao falar para a soldadesca arregimentada para ouvi-lo celebrar as “conquistas” na ação das forças policiais estaduais, foi longe. “Bastou o nosso governo assumir para que, em 60 dias, até investigações antigas fossem solucionadas”, autoelogiou-se. Isso é risível. Assim como o é a afirmação do secretário Rodney Miranda de que 92% dos casos policiais foram resolvidos, enquanto na maioria dos Estados a média fica entre 5 a 10%. Não há base fática para essa afirmação, que é tão ousada quanto inverossímil. Isso, leitor, não tem a menor fundamentação e depende de ser acreditar ou não na palavra do governador e do seu auxiliar. Nem em séries policiais na Netflix acontece coisa parecida.