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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

11 abr

Filiação ao UB só adiou o já sabido: Vilmarzim não será candidato

      O prefeito de Aparecida Vilmar Mariano corre. Com a Bíblia debaixo do braço, anda dia e noite atrás dos pastores evangélicos do município, seja qual for o tamanho da igreja. Posta nas redes sociais imagens em que aparece contrito orando ou pregando do púlpito, papel natural, aliás, de quem espera um milagre(vejam acima, leitoras e leitores). Em um intervalo ou outro, inspeciona obras – nova, aliás, nenhuma, só as mesmas de antes, um asfalto aqui, talvez um bueiro ali, nada estruturante ou em condições de se refletir de fato na vida cotidiana da maioria das aparecidenses e dos aparecidenses. Falta pouco para ir a aniversário de boneca e inagurar pinguela. Complicador: o Mariano não tem seguidores. No Instagram e no Facebook, suas contas são praticamente anônimas.

Como se sabe, Vilmarzim foi humilhado por um acordo que, obrigado a engolir, deu a ele um prazo até o início de junho para reagir nas pesquisas – uma graça não alcançada nos dois primeiros anos do seu mandato tampão. Se não conseguir, e já, reduzir a pelo menos a metade a diferença que o separa do Prof. Alcides, hoje por volta de 30 pontos, comprometeu-se perante Caiado a desistir da candidatura e a apoiar quem a base governista (leia-se Daniel Vilela e Gustavo Mendanha) indicar como candidato. Não há segredo: todo mundo sabe que o nome certo é o do ex-deputado Leandro Vilela, bem avaliado nas pesquisas como alguém que pode de fato inovar como prefeito de Aparecida e restabelecer os cânones administrativos e bem aprovados de Maguito Vilela e Mendanha.

 

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A sobrevida concedida a Vilmarzim é pura perda de tempo. Não existe caso conhecido na política em que um candidato conseguiu subir 15 pontos nas pesquisas em reles dois meses. Pior ainda um tipo como um prefeito que é avaliado pela população como abaixo das exigências do cargo e como retrato vivo da velhíssima política. Acrescente-se a isso que Mariano cometeu todos os erros possíveis, o maior deles deixar de cultivar com atenção e carinho as relações com o seu antecessor Mendanha, o cabo eleitoral número um de Aparecida. Faltou inteligência estratégica a Vilmarzim, pelo menos para compreender que o seu mandato atual não era “seu” e, sim, do ex-prefeito, que o arrebatou com mais de 90% das urnas. Daí, nada mais natural que aceitar a influência do Gustavo na sua gestão, garantir o apoio dele e com essa arma conquistar um novo mandato, esse, sim, da sua lavra e competência. Ele suicidou-se pulando fora desse entendimento.

Na verdade, não dá para levar a sério o que acontece em Aparecida, onde um prefeito simula dinamismo e proatividade que a sua própria aparência pessoal não confirma. Tudo parece uma brincadeira de criança. Quando junho chegar, será o mais cruel dos meses para Vilmarzim, em vez do tenebroso abril do poeta T. S. Elliot. O prefeito, que se vangloria de nunca ter lido um livro, e isso inclui o livro sagrado que agora espreme no sovaco, só terá como alternativa a chantagem de ameaçar romper e apoiar o Prof. Alcides. Bom para a base governista? Não, porque isso fortalecerá ainda mais a campanha do PL. Porém, não será jamais um movimento capaz de liquidar com as chances de Leandro Vilela. Ao contrário, pode até ajudar, ao reunir dois expoentes do que o eleitorado de Aparecida identifica com práticas antigas e superadas, segundo as avaliações qualitativas correntes, e potencializar os desgastes de ambos.

Daniel Vilela e Mendanha, amplamente escorados em pesquisas, aguardam. Nem um nem outro acreditam na mínima possibilidade de uma reação de Vilmarzim. O perfil é incompatível com uma cidade transformada na segunda maior grandeza econômica de Goiás, atrás apenas de Goiânia e acima de Anápolis no ranking dos PIBs municipais. Mariano aceitou as regras do jogo sem perceber que, na verdade, estava pulando para dentro de uma frigideira da qual só sairá torrado.