Vanderlan e Rogério perderam a eleição por antecipação
Dentre os postulantes à prefeitura de Goiânia que mais chamaram a atenção, na eleição municipal deste ano, destacam-se o senador Vanderlan Cardoso e o prefeito Rogério Cruz, ambos, por uma semelhança: eles perderam a eleição lá atrás, Vanderlan quando embarcou na aventura liderada pelo estranho no ninho Major Vitor Hugo como candidato ao governo de Goiás em 2022 e Rogério no momento exato da expulsão do MDB do Paço Municipal, no início de 2021, após ganhar de presente, sem nenhum merecimento, aliás, o mandato conquistado por Maguito Vilela.

Por que cargas d’água Vanderlan resolveu abandonar o projeto de reeleição do governador Ronaldo Caiado, que o havia apoiado para prefeito de Goiânia em 2020? A resposta é simples: o senador acidental nunca fez política dentro de um conceito de grupo ou de representação institucional de segmentos ou correntes partidárias, porém na medida apenas dos seus interesses pessoais. E, nas eleições municipais deste ano, com o lançamento desastroso da sua mulher Izaura Cardoso como candidata simultânea a prefeita de Senador Canedo, defendendo uma visão de mundo familiocrata. Não poderia terminar bem: Vanderlan passa à história como um caso real de derrota duplicada nas urnas, ele aqui na capital, ela lá no Canedo. Vexame.
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Marido e mulher na política nunca dão em alguma coisa. Um entrando, o outro tem que sair ou ficar de fora. O fiasco de Vanderlan custará caro para o seu futuro: o mandato senatorial se encerrará daqui a dois anos sem a menor chance de restauração por mais oito anos – e ele só sobreviverá na hipótese de se candidatar a deputado federal e se eleger com base na capacidade econômica. Olhem bem, leitoras e leitores, se assim o fizer, Vanderlan mostrará ter recuperado o juízo porque, por qualquer outro caminho, estará fadado a um final melancólico de carreira já prenunciado.

Quanto ao Rogério, não há segredos: ele cometeu o erro de ceder ao delírio do poder, quando assumiu no início de 2021 e se julgou capaz de administrar a prefeitura mais importante do Estado sem o MDB. Este blog já registrou inúmeras vezes, inclusive naquele momento de insanidade do Cruz: não se dispensa um partido como o MDB, ao contrário, o que se deve fazer é o possível para atraí-lo, tal como Caiado ao entregar a vice-governadoria para Daniel Vilela e, mais ainda, fazê-lo seu sucessor, em troca do apoio da legenda mais tradicional e mais consistente da história de Goiás.
Morreram politicamente os dois, Vanderlan e Rogério, no dia em que incorreram – e não existe outra palavra – na maior burrice das suas vidas. Tirar essa conclusão agora, em restrospectiva, parece fácil. No entanto, quando fizeram o que fizeram, as consequências nefastas foram também contratadas. Vanderlan, leal a Caiado, teria o apoio do governador e daí a enorme chance de ser o novo prefeito de Goiânia. Rogério, se tivesse se filiado ao MDB e compartilhado a prefeitura com a sigla, estaria agora na iminência de uma reeleição altamente provável. Falta de inteligência em política não tem perdão.