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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

12 fev

Caiado enfrenta, na Índia, o desafio que Marconi não conseguiu vencer

O ex-governador Ronaldo Caiado está na Índia, liderando uma caravana predominantemente empresarial atrás de negócios interessantes para Goiás. Não é uma missão fácil: no passado, em 2017, o então governador Marconi Perillo também comandou uma supercomitiva goiana que consumiu quase duas semanas prospectando investimentos ou parcerias econômicas com os indianos. Foi dinheiro jogado pelo ralo porque, no frigir dos ovos, não deu em nada: a exemplo da maioria esmagadora das viagens internacionais de Marconi, nunca veio para Goiás um centavo estrangeiro – e as mais variadas praças foram visitadas, a começar pelas de maior porte, como os Estados Unidos, a Rússia e a Arábia Saudita, como as de pouca expressão, tipo México, Colômbia e países europeus.

Não é fácil atrair para Goiás dinheiro de fora. Recentemente, Caiado foi à China e até que deu em alguma coisa. Uma fábrica da WeiChai, especializada em motores agrícolas, está em implantação em Itumbiara. Se for adiante, será um diferencial e tanto: Marconi foi duas vezes ao país do meio, com ganho zero em ambas as ocasiões. De resto, em se computando todos os périplos do ex-governador pelo planeta, com uma soma de ano e meio, caso somados todos os dias em circunavegação no exterior nos seus 16 anos de governo, pode-se concluir fácil, fácil: os recursos públicos queimados para financiar essa esbórnia turística nada renderam para o Estado.

 

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Atenção: a Índia, hoje, é um pouco diferente de 2017, quando Marconi esteve lá nada mais do que para provar comidas apimentadas e temperadas com canela e gengibre. Eles ascenderam à condição de nação mais populosa do globo e aperfeiçoaram ao status de potência econômica, com um boomggggyt6 extraordinários em matéria de biogás, tecnologia da informação, energia limpa e agroindústria. Sua força de trabalho tem o dobro da produtividade dos trabalhadores brasileiros (aliás, uma lástima: os americanos, por exemplo, rendem 4 vezes mais e talvez mais ainda quando se trata de serviços). Impulsionada pela tecnologia, a Índia é um exemplo e uma oportunidade para o Brasil, ainda mais em tempos de isolacionismo trumpiano. Será preciso avaliar, no futuro, se o comboio de notáveis chefiado por Caiado produzirá resultados palpáveis.

Detalhe: Caiado é um governador, quanto a sair de Goiás, parecido com Iris Rezende. Como dito, antes da Índia, ele só foi à China – não à toa as duas mecas do mercantilismo mundial. O governador é especialmente comedido quanto a dispender o precioso numerário entregue mensalmente pelos contribuintes aos cofres do seu governo. Em comparação com um antecessor apaixonado por passeios além das fronteiras nacionais, às custas do erário, como Marconi, Caiado vence de carrada. Se aceitou ir à Índia, é porque avaliou as possibilidades e viu que daí poderia vir retorno. Mais para a frente, vamos ver no que frutos serão colhidos.