Fenômeno que derrubou Lula é o mesmo que desbancou Iris e Marconi

As leitoras e os leitores já se informaram: a popularidade do presidente Lula desabou. O pai dos pobres perdeu apoio até mesmo entre os pobres e, aliás, entre esses de forma ainda mais consistente. Na verdade, passou-se com Lula um fenômeno que, no passado recente, em Goiás, atingiu tanto Iris Rezende quanto Marconi Perillo, ou seja: governantes que apostam na gratidão automática do povo para as políticas públicas que implementaram como um filão inesgotável de votos e sucessivas vitórias eleitorais.

Nada assemelhou mais Iris e Marconi, ao longo das suas respectivas carreiras, do que a cobrança ao eleitorado pelas suas realizações como se dádivas fossem. Um e outro caracterizaram-se como políticos identificados pelo discurso prioritário do “eu fiz isso, eu fiz aquilo” e ambos conheceram a ruína nas urnas ao pregar o retorno aos “bons tempos” das suas gestões – falando para uma sociedade em rápida evolução e cada vez mais formadas por jovens que jamais tomaram conhecimento do que seja Iris seja Marconi fizeram como governadores.
LEIA TAMBÉM
Obsessão de Lula pelo marketing lembra anos iniciais do nazismo e tem até um Goebbels
Comunicação governamental mal e bem sucedida? Os casos de Iris, Marconi e Caiado
Caiado amplia o discurso para universalizar a candidatura presidencial
Iris morreu, mas sua filha Ana Paula desdobra-se para manter a sua memória viva às custas do erário com um museu instalado em um prédio da prefeitura de Goiânia, logo alguém que deixou uma herança superior a bilhão de reais. Marconi segue por aí, na tentativa de sobreviver se comparando com o governador Ronaldo Caiado a partir dos seus feitos de outrora – algo preliminarmente impossível porque a realidade em que ele comandou Goiás era um e o mundo onde se insere Caiado é outro completamente diferente, mesmo porque é o de hoje e o de Marconi é o de ontem. Caiado, é claro, leva uma vantagem simplesmente insuperável.
Governante que apostar, como o desesperado Lula e como Iris e Marconi na época de cada um, em conquista mecânica de aprovação a partir de distribuição de benesses e outras estratégias de demagogia social, tipo a lembrança dos seus períodos de governo, podem tirar o cavalo da chuva. Não funciona mais. O que o Poder Público oferece não é favor, antes obrigação e, quanto a cada um, um direito. Obras construídas com o dinheiro do contribuinte não são presentes dos governantes de plantão. Já faz tempo que o eleitorado se tornou mais crítico e menos fiel, algo atestado pelos fiascos de Iris e Marconi nas urnas. Programas sociais e benefícios agora são vistos como uma garantia básica, comum a todos os governos, não como um favor que exige retribuição em votos. Foi assim que Iris acabou derrotado em 1998 e Marconi em 2018, nos dois casos aparentemente sem volta: Iris teve que se conformar com uma carreira municipal e Marconi submeter-se a uma completa falta de futuro na política estadual.
Lula está frito. Ele é um presidente que recende a naftalina, tal como Iris quando envelheceu e tal como Marconi ao se apegar ao seu histórico e ações pretéritas e só olhar para trás, desprezando o presente e o futuro. Essa é uma verdade dura. Novos protagonistas virão e, a propósito, Caiado é um deles, como candidato a presidente da República e Daniel Vilela como favorito para o governo de Goiás.