Sem chances de reeleição em 2026, futuro de Vanderlan na política é incerto
Não será fácil para o senador Vanderlan Cardoso atravessar as eleições de 2026 e manter-se com um lugar ao sol na política estadual. Erros e equívocos se acumularam na trajetória de Vanderlan, compondo um fardo pesado que já recaiu sobre as suas costas no pleito passado para a prefeitura de Goiânia, ao se esboroar com um 5º lugar no 1º turno, com reles 6,5% dos votos, enquanto sua mulher Izaura Cardoso também era derrotada para a prefeitura de Senador Canedo (em 3º lugar). Agora, no ano que vem, o que estará em jogo para o rei dos alimentos ultraprocessados, dono de fábricas de salgadinhos pelo Brasil afora, é a sua própria sobrevivência em um meio no qual nunca foi um player natural e, sim, artificial, passando por quase 10 partidos e atuando via de regra sozinho e isolado das demais lideranças da política em Goiás.

Fora a prefeitura de Senador Canedo, em que teve um mandato e meio, Vanderlan só ganhou uma eleição majoritária das cinco que disputou. Foi a de senador, em 2018, quando compôs a chapa oposicionista de Daniel Vilela, em um casamento temporário do PP com o MDB, na época. Ele, contudo, não aprendeu a lição: é participando de grupos que se conquista mandatos executivos e cadeiras legislativas. A fidelidade aos aliados também conta pontos. O senador nunca deu a mínima para qualquer tipo de lealdade. Preferiu, sempre, os seus interesses pessoais. Um exemplo significativo foi quando, depois de receber o apoio do governador Ronaldo Caiado para correr atrás da prefeitura de Goiânia em 2020, resolveu embarcar na campanha do então estranho no ninho Major Vitor Hugo nas eleições de 2022, contra a reeleição no final das contas vitoriosa de Caiado, em troca de vaga de 1ª suplente de Wilder Morais para a sua mulher Izaura. Um gesto de ingratidão que passou a simbolizar o estilo e o jeito de Vanderlan na política.
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Desgastado e muito pelo duplo fiasco, ele em Goiânia e Izaura em Senador Canedo, Vanderlan esperneia para se posicionar para 2026. A reeleição para o Senado tornou-se praticamente impossível, ou melhor, depende de um milagre. Como a calamidade eleitoral de 2024 comprovou, os votos desapareceram. E a falta de confiabilidade impede a sua escalação na chapa de Daniel Vilela, de resto já com uma das vagas senatoriais comprometidas com a primeira-dama Gracinha Caiado e a segunda ainda dependendo da evolução das negociações com o PL – dando certo, será destinada ao deputado federal Gustavo Gayer. Vanderlan não cabe nessa articulação, embora venha assediando Caiado e Daniel na esperança de um desfecho favorável.
Assim, declarou apoio ao governador para presidente e até foi ao lançamento em Salvador, na Bahia. Licenciou-se e doou quatro meses de mandato no Senado para o suplente Pedro Chaves, emedebista de íntimas ligações com Daniel Vilela (tanto que o assessora no gabinete da Vice-Governadoria). Tudo indica que muito tarde São demonstrações interesseiras de boa vontade de última hora, insuficientes para apagar a marca consolidada da falta de compromisso com a moeda número um da política – a reciprocidade. Além de tudo, a base governista dispõe de alternativas sobrando para a corrida senatorial do ano que vem.
Finalmente, Vanderlan também é vítima da sua falta de consciência sobre o papel institucional de um senador da República. Em quase sete anos na primeira Câmara Legislativa do país, limitou-se a trabalhar como despachante de luxo para as prefeituras goianas, gastando o tempo com a entrega de ambulâncias, caminhões, tratores e ônibus, além de recursos para uma rua asfaltada aqui, outra ali. Isso não dá conteúdo ou substância para justificar um mandato parlamentar de tamanha importância, ao contrário, garante apenas uma desmoralizante vaga no baixo clero do Congresso Nacional. Sim, Vanderlan quer mais oito anos no Senado. A pergunta que salta é curta: para quê?