Reposicionamento de Tarcísio cria desafio, mas pode beneficiar Caiado
O discurso do governador de São Paulo Tarcísio de Freitas no 7 de setembro, carregado de críticas diretíssimas ao Supremo Tribunal Federal e ao todo poderoso Alexandre de Moraes, passou a nítida impressão de um movimento destinado a angariar, em definitivo, o apoio do bolsonarismo para um candidato a presidente que, de qualquer modo, é o que aparece muito bem situado nas pesquisas, desde já. E se foi esse o objetivo, funcionou. Embora debaixo de um cerrado fogo da esquerda e da imprensa, Tarcísio foi elogiado por membros da família Bolsonaro. Conseguiu o que queria. Reposicionou-se e deu um passo largo para a sua consolidação como o presidenciável de maior viabilidade eleitoral do campo da direita.

Isso estreitou um pouco o caminho à frente do governador Ronaldo Caiado, convicto na decisão de ir até o fim com a sua postulação ao Palácio do Planalto. Caiado assinou um compromisso com o UNIÃO BRASIL e o PROGRESSISTAS, hoje federados, mediante o qual terá apoio até o fim deste ano para ultrapassar a meta dos 10% de intenções de voto nas pesquisas. Se conseguir, e não é fácil, seria bancado pelos dois partidos em 2026. O problema é que Tarcísio, com a sua nova marca, a de bolsonarista fiel e até certo ponto inflexível, tende a ocupar espaço e a crescer como solução do conservadorismo nacional para recuperar a presidência da República. Os pontos que ele provavelmente absorverá são preciosos e farão falta a Caiado.
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Para o governador goiano, o momento representa um enorme desafio. Vale destacar que ele sempre foi amigo e aliado de Tarcísio de Freitas. Em um determinado instante, chegou a admitir que poderia desistir do projeto presidencial em favor do colega paulista. Depois, mudou de ideia, passou a defender como eleitoralmente vantajosa para a direita o lançamento de vários nomes no 1º turno e afirmou que, mesmo com Tarcísio no páreo, não cogitava mais de uma desistência. Isso é verdade na medida em que as pesquisas mostram que competidores diferentes, pela direita, totalizam mais pontos que o adversário Lula – o único candidato disponível para a esquerda -, ao contrário dos cenários mano a mano, em que o petista, por enquanto, sempre sai à frente.
No entanto, uma oportunidade pode surgir, caso a jogada de Tarcísio não venha a ser bem-sucedida. O retorno dos acenos ao bolsonarismo raiz não são uma unanimidade e, de alguma forma, cobram um custo político, qual seja desagradar o eleitorado centrista e levar a uma perda de consistência nesse segmento. É aí que Caiado e os demais governadores-candidatos entram no cálculo, como possíveis beneficiários dessas expectativas, que jamais voltariam para Lula, depois da decepção de 2022, quando ele foi eleito com o respaldo decisivo do centro, porém na sequência preferiu ocupar o poder federal à revelia da frente que o acompanhou na jornada vitoriosa – e apertada – pelas urnas, optando por impor a hegemonia administrativa do PT. Não à toa, Caiado anda meio recolhido, falando pouco desde o abalo sísmico na política nacional provocado pelo discurso do governador paulista, obviamente avaliando o quadro e preparando seus novos passos. Os dias que se aproximam serão fundamentais.
Atualizaçao – Meio-dia, 12/setembro – O governador Ronaldo Caiado manifestou-se sobre a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal, reclamando da sentença e reafirmando que o seu primeiro ato, caso eleito para governar o país, será a concessão de um indulto a Bolsonaro. Caiado manteve-se uma nota abaixo do posicionamento, mais radical, do governador de São Paulo Tarcísio de Freitas. E reafirmou a defesa do que chamou de “pulverização” de candidaturas contra a reeleição do presidente Lula como mais benéfica para viabilizar uma vitória da direita em 2026.