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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

01 nov

Esquerdosfera reage com histeria a críticas de Caiado a Lula e ao apoio à operação policial no Rio

 

Três ou quatro dias depois da operação policial que matou uma leva respeitável de criminosos do Comando Vermelho, no Rio de Janeiro, já está claro que os resultados passam longe do denunciado desastre inicial, que houve planejamento inteligente e execução eficaz e que uma das facções mais poderosas do país acabou abalada em seu poderio. Quase todos os mais de uma centena de mortos tinham ficha criminal, ninguém da população dos Complexos da Penha e do Alemão sofreu sequer ferimentos, porém, infelizmente, quatro policiais perderam a vida e 10 terminaram feridos.

Foi isso que o governador Ronaldo Caiado, desde o primeiro momento, passou a repetir em suas declarações sobre o episódio. Parabéns para as polícias do Rio, proclamou em tom elevado de voz. Não é novidade: Caiado é duro, duríssimo, com a bandidagem, restaurou a segurança pública em Goiás, a ponto do Estado ser considerado hoje não só o mais seguro do Brasil, como também exemplo para todas as unidades federativas. Do alto do seu conhecimento profundo sobre o assunto, ele aprovou a espetaculosa operação, ofereceu ajuda para o colega governador Claudio Castro e aproveitou para lamentar a omissão do governo Lula sobre o tema que todas as pesquisas apontam como a principal preocupação nacional, qual seja a incerteza sobre sair de casa e não ser baleado ou atacado.

A esquerdosfera tropical arrepiou-se toda, desdobrando-se em um festival de sandices. Um comentarista da Rádio Interativa despejou uma leva de insultos sobre o governador, a quem caberia, segundo a sua primitiva interpretação, deplorar a pilha de cadáveres de marginais exibida na mídia. Na Globonews, os comentaristas foram à loucura, indignados com os acontecimentos e tentando de toda forma caracterizar a operação como improvisada – o que, sem dúvidas, realmente não foi, em especial porque a estratégia de guerra adotada soube atrair os líderes e soldados do Comando Vermelho para uma zona de mata, evitando a troca de tiros nas ruas da comunidade. Uma jornalista do UOL, entrevistando Caiado, tentou obrigá-lo a reconhecer que não adianta eliminar delinquentes já que, em seguida, eles sempre são substituídos. Até o jornal O Popular tentou tirar uma casquinha, acusando o governador de comportamento eleitoral para beneficiar a sua postulação à presidência.

Não é bem assim, leitoras e leitores. Cada bandido neutralizado conta para a conquista da paz social. É por isso que a visão de mundo progressista deplora o mote popular do “bandido bom é o bandido morto”, que, na verdade, precisa ser interpretado dentro do seu real significado: bandido bom é aquele suprimido do convívio social, através dos meios legais, seja pela prisão, seja pelo cancelamento do CPF. Aos policiais, não compete ser gentis e educados com valentões armados de fuzis e drones com bombas. Ema conjuntura de verdadeiro combate, quem não quiser morrer deve colocar as armas no chão e erguer os braços. Os 120 mortos do Rio recusaram-se a isso e pagaram o preço.

 

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Portanto, chacina e massacre, como apregoado por petistas e quejandos, são palavras inapropriadas para definir os fatos impactantes da semana passada. Caiado tem razão ao enaltecer a efetividade do golpe assentado contra o Comando Vermelho. Enquanto isso, em Brasília, em pleno Palácio do Planalto, Lula, seus ministros e a tradicional plateia amestrada promoveram um minuto de silêncio em homenagem às “vítimas” do Rio, esquecendo-se de que vítima é a população que vive sob o jugo da ditadura do crime, sob extorsão diária e com a sobrevivência cotidianamente em risco em áreas urbanas cada vez mais extensas pelo Brasil afora. Não à toa, o governador goiano cresceu politicamente em meio a tudo isso, consolidando-se como um líder nacional capaz de dar um basta a essa triste situação caso venha a ser eleito para a presidência da República. Alguém tem dúvida?

 

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Atualização às 17 horas de sábado, 01/novembro – Tal como previsto por este blog, já estão publicadas três pesquisas mostrando que a população das comunidades atingidas pela operação policial no Rio aprova a ação dos agentes de segurança e enxerga a eliminação de líderes e soldados do Comando Vermelho como um claro sucesso das autoridades cariocas. Datafolha (57%), Atlas/Intel 87,6%) e Paraná Pesquisas (69,6%) atestaram a receptividade positiva do ataque ao Comando Vermelho e as mortes de mais de uma centena de criminosos. Confiram nos gráficos acima publicados pelo UOL.