Baixo nível marca disputa entre Adib Elias e Jamil Calife pelos votos de Catalão e região
Tendo como palco Catalão, uma cidade que gosta de se autoproclamar como a Atenas de Goiás, em alusão às suas tradições culturais e ao seu atual polo universitário, o rompimento entre o ex-prefeito Adib Elias (MDB) e o deputado estadual Jamil Calife (PP) escorregou rapidamente para uma troca de ataques de baixo nível. Tudo isso porque Adib, sem aviso prévio, resolveu se apresentar como candidato à Assembleia Legislativa em 2026, o que praticamente inviabiliza a reeleição de Calife e, de resto, ateou fogo à politicalha local.

Os dois são médicos e parentes. Conhecem, portanto, as vísceras um do outro. Logo, as redes sociais e os blogs que tratam da briga, em Catalão, passaram a exalar mau cheiro. Adib é acusado de ser um político superado, decadente e sem saúde sequer para uma caminhada de 10 metros desde que passou por 17 cirurgias para enfrentar sequelas do forte ataque da Covid-19 que sofreu na época da pandemia. A nomeação para a Secretaria estadual de Infraestrutura, onde está atualmente, foi classificada como um “gesto de piedade” do governador Ronaldo Caiado. A pasta, nessa visão, seria decorativa, sem poder real – o que é verdade. O ex-prefeito, nesses textos, recebe o diagnóstico de doente mental, acometido por delírios de grandeza, porém sem nada mais a oferecer para Catalão, a não ser uma página amarelada para os livros de história.
A resposta não tardou. Jamil Calife é chamado de “frango de granja’, metáfora alusiva ao fato de que não tem nem currículo nem qualquer experiência política e só foi parar na Assembleia em razão do apoio que recebeu de Adib – que lhe rendeu 28 mil votos só em Catalão e Ipameri. Documentos anexados apontam que uma das suas empresas, o maior hospital da cidade, encontra-se em recuperação judicial, além de dívidas enormes com os principais agiotas da região. Estaria, em linguagem popular, segundo os adibistas, literalmente “quebrado”. E até de “dorminhoco” tem sido chamado, devido ao costume de se atrasar sempre que seus compromissos ocorrem no período da manhã.
Exageros, claro, de lado a lado. Mas sintomas de uma guerra aberta que, no final das contas, pode impor prejuízos para ambos os contendores. Adib perde menos. Na região Sul de Goiás, ele é uma espécie de semideus, status que se eleva ainda mais dentro de Catalão. Para que se tenha uma ideia, em 2014, ou seja, há mais de 10 anos, elegeu-se deputado estadual com 24 mil votos somente no município. Depois foi prefeito por dois mandatos e ainda fez o sucessor, comprovando a incolumidade do seu prestígio popular. Nada disso impressiona o grupo de Jamil Calife. Ali, fala-se em uma lista interminável de obras inacabadas e em uma prefeitura endividada até a tampa. A prova seria o Hospital Municipal, que Adib não conseguiu concluir e foi obrigado a entregar para o governo federal por falta de dinheiro para o seu funcionamento.
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O conflito entre Adib e Jamil é irreversível, já que envolve uma questão delicada de sobrevivência política, quer dizer, só há espaço para um deles. Vai além de Catalão, ao perturbar a estabilidade da base do governador Ronaldo Caiado e a campanha de Daniel Vilela para o Palácio das Esmeraldas. Por isso, todos pisam em ovos, menos a dupla antes carne e unha, hoje em estado de inimizade ferrenha. Falar mal mutuamente transformou-se em regra cotidiana, em meio a boatos de que vêm aí denúncias pesadas de parte a parte, inclusive envolvendo a vida pessoal. Enquanto isso, Adib zerou a sua agenda de secretário em Goiânia e passa os dias visitando lideranças, prefeitos e cabos eleitorais, pavimentando a candidatura à Assembleia. De Jamil, diz-se que está fazendo cena para, oportunamente, desistir das eleições do ano que vem, por absoluta inviabilidade quanto a um novo mandato.